Agência UVA Barra assistiu: “Meu amigo Enzo”

Foto: Divulgação

“Meu amigo Enzo” é, antes de qualquer aspecto, uma obra que mexe com a emoção, leva à reflexão e está carregada de mensagens positivas como moral da história. O filme é narrado por “Enzo” [Kevin Costner], o cachorro que “mais parece gente”, de acordo com seu amigo, o piloto de carros “Denny Swift” [Milo Ventimiglia]. O nome original “The Art of Racing in the Rain”, ou seja, “A arte de correr na chuva” facilita a assimilação, afinal, estamos diante de um filme que compara a jornada da vida à uma corrida automobilística, onde somente um excelente piloto reage bem a situações adversas.

O diretor “Simon Curtis” investe numa linguagem construída de maneira filosófica e imagética cimentada por devaneios, indagações e imaginação de Enzo. Imagens de arquivo da Fórmula 1 e inúmeras corridas vistas no autódromo colaboram com a paixão do cãozinho por corridas. Aliás, o ponto de vista do cachorro é uma ferramenta muito utilizada e é parte integrante dos enquadramentos, bem como muitos close-ups. O roteiro de “Mark Bomback” aposta numa narrativa melodramática com lampejos de comédia e investe numa vasta quantidade de dramas familiares e obstáculos a serem ultrapassados por Denny Swift, enquanto Enzo, ao mesmo tempo que aprende sobre humanos e seus comportamentos, faz de tudo para ajudá-lo.

Traçando uma linha narrativa, é possível observar a progressão dramática que o roteiro segue até seu clímax. Ao invés de investir numa linguagem de altos e baixos, com momentos de estresse e relaxamento, a tensão se acentua gradualmente ao longo dos segundo e terceiro atos. Este fato se dá na construção de uma família, que não traz apenas benesses e sensações positivas. O nível de exigências, obrigações e complicações crescem na mesma proporção ou até maior. Doenças, conflitos familiares e questões morais fazem parte do cotidiano da vida de Denny Swift enquanto precisa lidar com tudo da melhor maneira possível. Os momentos de alívio cômico no meio deste turbilhão de emoções são trazidos por “Enzo” e sua arqui-inimiga: uma zebra de pelúcia, uma maneira inteligente de retratar a imaginação e o senso de proteção de um cachorro com sua família. A amizade é apresentada como um trunfo importante para alguém com tantos obstáculos, pois quando tudo parece dar errado, contar com um amigo pode ser essencial.

Todo este quadro melodramático caminha lado a lado com um ponto bastante contestável da construção narrativa do filme: a linearidade emocional na concepção dos perfis de personagens. Há poucos momentos onde personagens se descontrolam emocionalmente, principalmente o protagonista. Mesmo que seja um comportamento proposital vindo da premissa do filme, é impossível ter o senso de dever e de caráter o tempo inteiro. Todo o ser humano está propenso a desistir, a se desmotivar, a perder a paciência e, principalmente, a agir por impulso. Mesmo o melhor piloto pode rodar ou derrapar numa pista de corrida. O antagonismo também não é bem elaborado, nos entregando uma figura repleta de defeitos e atitudes contestáveis. Não há nenhuma qualidade positiva, o que o torna inverossímil. O típico vilão novelístico que precisa ser odiado a todo e qualquer custo. O personagem mais humano de todos, com seus erros e acertos, é o único que anda sobre quatro patas, o cachorro “Enzo”.

A fotografia de “Ross Emery” entrega uma imagem que se assemelha à um vídeo familiar caseiro, com pouca saturação e luzes sem aspecto artificial, com um resultado bem próximo ao natural. A conversa com os enquadramentos propostos pelo diretor dá a sensação que estamos vendo um vasto álbum de fotos de família. Esta característica é quebrada nos momentos onde Enzo interage com a zebra, dando lugar à uma atmosfera fantasiosa à lá Toy Story. “Meu amigo Enzo” não explora a imagem canina para levar o público às lágrimas, mas o que um cachorro pode fazer para dar mais uma volta com o seu melhor amigo.

“Meu amigo Enzo” não explora a imagem canina para levar o público às lágrimas, mas o que um cachorro pode fazer para dar mais uma volta com o seu melhor amigo.

Kadu Zargalio – 4º Período | Produção Audiovisual

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