O Artista Independente no Brasil

Entenda os desafios que os artistas enfrentam para a ascensão dentro desse mercado

Pela definição do dicionário, artista é o indivíduo que se dedica à arte ou faz dela o meio de vida. Na prática, entende-se por aquele que consegue, através das inúmeras maneiras que a arte permite, comunicar os pensamentos, traduzir  as emoções, transmitir as crenças e partilhar dessa experiência sensorial para com o outro. Entretanto, entre a definição e o dia a dia, para viver de arte no Brasil é preciso coragem.

No ano de 2020, uma pesquisa realizada pela ABMI (Associação Brasileira de Música Independente) divulgou que os artistas independentes ocuparam 53% nas paradas de sucesso das plataformas de streaming, como o Spotify, Amazon Music e o Deezer. O dado evidencia a expansão do mercado independente na área musical e chama atenção da indústria sobre o poder de transformação das plataformas digitais no setor. 

Beatrice, cantora e compositora, conseguiu enxergar essa contribuição dentro dos próprios números. “Maiô” foi lançada ainda no final de 2021 e marcou o início da carreira profissional da cantora, o single de estreia conseguiu ultrapassar um pouco mais de 15.000 streams no Spotify. A boa recepção nas mídias sociais permitiu com que começasse a pensar sob uma perspectiva mais mercadológica em relação aos seus futuros lançamentos. “Serviu como uma forma de saber como as pessoas reagiriam a uma música que não foi direcionada para o mercado, de fato. Nunca achei que teria esses números, acho muito para quem está só está começando”, confessa a artista.

Desde muito cedo em contato com a música, Beatrice preza não só pela valorização dos alcances, como também da potência da arte que produz. A cantora consegue pontuar vantagens em ser uma artista independente no atual cenário: “Tenho liberdade em escolher os meus produtores, minha distribuidora, minhas próprias músicas e ser minha própria empresária”.

Beatrice comenta os principais desafios de um artista independente para ascensão no mercado.


Nas artes cênicas há um glamour que envolve a profissão. Para a atriz Andressa Toledo, a informação de como ingressar no mercado poderia ser uma ajuda de quem já está lá. “De repente, as pessoas que já trabalham com isso, independente do veículo, poderiam ser mais generosas no sentido de compartilhar as suas vivências e experiências nesse quesito”, sugere a atriz.

“As maiores características para quem consegue se firmar na profissão, além do amor, é a responsabilidade, dedicação e o foco”

Andressa Toledo

Andressa acredita que estudar, enriquecer o campo de criatividade, expandir as habilidades precisam ser práticas rotineiras da profissão. “Nosso instrumento de trabalho é o corpo, então se eu encontrar atividades que me acrescentem como atriz, eu com certeza vou estar fazendo. Às vezes é preciso sair da zona de conforto”, afirma Andressa.

Para a dançarina Analí Santos, de 20 anos, a falta de investimento e oportunidade na arte, agrega a lista de obstáculos para o artista independente que procura estabilidade dentro da indústria. A desvalorização da arte, em geral, dificulta o reconhecimento e a visibilidade de um artista que decide dedicar o tempo à construção de materiais para distribuição e divulgação do trabalho feito.

“Eu sempre amei tudo relacionado à arte. Dançar e cantar são coisas tão naturais que não consigo me limitar entre um ou outro. A energia do palco é única. Todas as vezes que subi nele e vi o sorriso das pessoas, fiquei muito emocionada

Analí Santos

Com isso em mente, a estratégia da dançarina foi dar foco à área comercial do ofício da dança: Shows, palco ou até fazer parte de um ballet de um outro artista. Destaca também a importância do próprio reconhecimento, entender o propósito de todo esforço e usar como motivação para se manter consciente de toda a capacidade como artista. “Para planejar uma carreira no mercado de dança você tem que gostar mesmo do que está fazendo, sabe? Para ser completo e genuíno”, revela Analí.

O produtor musical Renan Martins confirma que entender as contribuições de uma boa gestão e planejamento de carreira, são chaves importantes para a ascensão de qualquer artista independente no mercado de trabalho: “Criar é a parte mais legal e prazerosa, porém existem outras coisas com as quais se preocupar, como enxergar objetivos e saber que construir uma carreira leva tempo e muita dedicação”.

Renan também enfatiza o papel das mídias sociais como um “cartão de visita”. As ferramentas tecnológicas permitem que as redes sociais de um artista ajam como um grande portfólio, onde cria-se a oportunidade de mostrar o perfil e o conteúdo de cada pessoa que almeja atingir o sucesso através da arte.

Renan Martins revela fator destaque no planejamento de carreira para artistas independentes.

Mesmo que constantemente atacado, o movimento artístico no Brasil segue rico em pluralidade e esconde inúmeros talentos que sonham com um lugar no topo das paradas. O trajeto de chegada pode não ser tão fácil, mas nada que seja impossível. A persistência e o conhecimento acabam por formar a receita infalível para o sucesso tão batalhado e sonhado.

Bruno Barros – 1° período

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