Os gambás são animais silvestres que vivem em matas, florestas e também em regiões urbanas perto de áreas florestais. Por serem animais solitários e noturnos, não é muito comum encontrá-los dentro do quintal de casa, mas em determinadas épocas do ano, entre setembro e março (principalmente durante a primavera) a sua observação se torna mais frequente.
Isso ocorre por diversos fatores, como o período de reprodução e acasalamento, que faz com que os machos saiam de seus abrigos em troncos de árvores e se locomovam por distâncias maiores que o habitual à de fêmeas. Já as fêmeas possuem uma demanda de energia maior por estarem grávidas ou amamentando e, devido ao clima úmido e tempo chuvoso, procuram abrigo em lugares secos para se proteger de possíveis predadores naturais, como aves de rapina e alguns felinos. Elas também acabam tendo acesso à ração de animais e a lixo orgânico, e se alimentando-se disso.
Apesar de serem confundidos com ratos e outros roedores, os gambás são, na verdade, marsupiais, (mamíferos que possuem uma bola no ventre para carregar os filhotes). Assim como os coalas e cangurus, eles possuem um ciclo de gestação muito curto e incompleto, terminando de crescer dentro da “bolsa” da mãe.
A fisionomia desse animal, como a cauda preênsil (quinto membro adaptado para segurar e agarrar galhos) e as patas com pequenos dedos, contribuem para que ele possa escalar árvores e galhos. Isso favorece a capacidade de escalar estruturas, facilitando com que subam em telhas para alcançar o forro. Por terem hábitos noturnos, esses animais se sentem muito confortáveis em garagens e porões.

Imagem que mostra de perto os dedos do gambá (foto: Marcelle Menendes)
Conhecido como “gambá”, esse marsupial possui diversos nomes populares ao redor do país: na Bahia, são chamados de sariguê, saruê ou sarigueia; na Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, de timbú. Já no Ceará, Alagoas, ele é apelidado de cassaco. Os apelidos não param por aí: mucurá é o nome recebido por eles na região Amazônica e micurê no estado do Mato Grosso. Em São Paulo e Minas são denominados de taibu, tacaca,e ticaca.
Por serem onívoros (se alimentam tanto de vegetais como de outros animais), possuem uma grande capacidade de adaptação e uma dieta bem abrangente, alimentando-se de algumas plantas, frutas, sementes, pequenos roedores, (o que ajuda no controle a populacional desses animais), além de baratas, carrapatos (transmissores de doenças graves como a febre maculosa) e até mesmo cobras, aranhas e escorpiões, visto que são imunes a algumas peçonhas. Isso torna o gambá um verdadeiro aliado da saúde pública.
O biólogo Gabriel Fernandes, explicou que existem estudos realizados pelo instituto Oswaldo Cruz e pela Fiocruz com o intuito de criar um soro antiofídico pelo potencial de proteínas neutralizadoras encontradas no sangue desse animal, ele ressalta:
“Cada forma de vida tem a sua importância: até essas mesmas que consideramos como pragas são super importantes para manter o ecossistema saudável e as cadeias e teias alimentares estáveis. Cada ser vivo tem a sua contribuição na teia.”
Gabriel alerta que ao encontrar um gambá em casa ou no quintal, o primeiro passo é manter a calma, pois trata-se de um aliado do meio ambiente e da saúde pública, e não de um perigo.
Como foi o caso de Elson Gonçalves, que, por morar em uma área próxima à mata, ao sair de casa para retirar o lixo, ouviu um barulho e então se deparou com “ um rabo pelado” em cima de um fogão em seu quintal e ficou com dúvida de qual animal poderia ser. Ao se dar conta de que se tratava de um gambá, não sentiu medo e optou em não retirar o lixo naquele momento, e deixando que o animal saísse sozinho, sem a necessidade de acionar qualquer tipo de resgate.
“Quando eu avistei, eu falei assim: “Eita, o bichinho tá assustado”, porque ele tava tentando subir a parede, aí ele desceu da parede, tem um buraco no nosso portão, eu achei que ele fosse passar por esse buraco do nosso portão, só que ele não passou. Ele foi para trás do carro. Aí eu pensei: “Quer saber? vou deixar, que aí ele vai embora e depois eu volto para jogar o lixo fora”.
Além disso, o gambá é um animal silvestre protegido por lei. É proibido machucar, matar ou tentar capturar o bicho por conta própria, a detenção é de três meses a um ano, além de multa, conforme estabelece o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).
Caso encontre um gambá em sua propriedade, feche as portas, janelas e frestas da residência para impedir a entrada dele. Recolha os animais domésticos para um cômodo seguro e dê espaço para que o gambá siga o seu caminho espontaneamente.
Se ele estiver dentro de casa, isole as passagens para o restante do imóvel e mantenha aberta uma janela ou porta que dê para a rua ou para o quintal, criando uma rota de fuga.
Caso o animal esteja ferido, preso ou em local de difícil acesso, deve-se contactar a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou a Secretaria do Meio Ambiente.
Na capital do Rio de Janeiro existe a Patrulha Ambiental que é o órgão municipal mais rápido e especializado no resgate e manejo de fauna silvestre urbana. Para acioná-los é só ligar 1746.
Conheça o instituto Vida Livre, que trabalha com reabilitação e soltura de animais silvestres: https://institutovidalivre.org.br/
Fernanda Rodrigues – 6º Período
Marcelle Menendes – 6º Período





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