Aos 69 anos, o jornalista paulistano Rui Costa Pimenta é, mais uma vez, o candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República. Presidente nacional da legenda desde a fundação, em 1995, ele concorre ao Planalto pela quarta vez, depois de disputas em 2002, 2010 e 2014, sempre pelo mesmo partido e sempre em última colocação.

Rui Costa Pimenta, presidente do PCO Imagem: Rony Santos / Folha Press

Origem e formação

Nascido em São Paulo, em 25 de junho de 1957, Pimenta é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e chegou a cursar Letras na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir a graduação. Sua entrada na vida pública iniciou durante a ditadura militar, quando participou de movimentos estudantis e sindicais.

A militância de esquerda é também uma herança familiar: Pimenta é neto de João da Costa Pimenta, um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil (PCB) e figura histórica do movimento operário brasileiro no século XX.

Trajetória política

Em 1980, Pimenta foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), integrando a tendência Causa Operária. Cinco anos depois, em 1985, foi eleito presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no contexto da redemocratização do país.

A relação com o PT, no entanto, não durou. Em 1992, Pimenta rompeu com a legenda por discordar dos rumos do partido. Três anos depois, em 1995, liderou o lançamento do PCO, inicialmente com registro provisório, tornado definitivo após uma campanha nacional de filiações. Desde então, preside a sigla, hoje um dos partidos mais à esquerda do espectro político brasileiro, à frente inclusive de outras legendas socialistas como PSTU e PSOL.

Ao longo da carreira, Pimenta também concorreu a cargos como vereador, deputado federal e prefeito de São Paulo, sem êxito eleitoral. Em 2006, sua candidatura à Presidência chegou a ser lançada, mas foi indeferida pelo TSE, que considerou fora do prazo a prestação de contas da campanha de 2002.

Rui Costa Pimenta em 1985 quando era diretor da Central Única Dos Trabalhadores em São Paulo 

Controvérsia judicial

Em maio de 2026, a Justiça Federal aceitou uma denúncia por antissemitismo contra Rui Costa Pimenta e Henrique Áreas, secretário nacional do PCO. O processo foi movido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e trata de publicações feitas nas redes sociais entre 2022 e 2024, que a entidade considera discriminatórias contra a comunidade judaica.

Pimenta classificou a apuração como ilegal e de caráter intimidatório, e criticou o nome dado à operação por, segundo ele, associar previamente o PCO à culpa. Em nota enviada à Gazeta do Povo, o candidato afirma estar sofrendo uma perseguição política após fazer críticas ao governo israelense e à guerra na Faixa de Gaza.  

A candidatura de 2026

O PCO confirmou a chapa em convenção fechada realizada em 5 de agosto de 2026, com lançamento público três dias depois, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ao lado de Pimenta concorre como vice-presidente Antônio Carlos Silva, de 63 anos, professor de matemática da rede estadual paulista e também filiado ao partido. A chapa é “pura”, formada exclusivamente pelo PCO, sem coligação com outros partidos.

O PCO descreve a candidatura como antissistema, com foco na oposição ao que classifica como imperialismo e na crítica à subordinação dos trabalhadores a projetos apoiados pelo grande capital. Segundo o próprio Pimenta, a candidatura tem caráter de propaganda política, funcionando como instrumento para abrir um debate estratégico sobre os rumos do país.

Proposta de governo

O plano de governo do PCO abre com uma ressalva: o partido afirma não participar das eleições para fazer promessas. Ainda assim, o programa reúne propostas detalhadas em diversas áreas.

Direito trabalhista – a candidatura defende salário mínimo de R$ 7.500 e auxílio emergencial equivalente a um salário mínimo, além de reajuste automático dos salários sempre que a inflação acumulada ultrapassar 3%. O programa também prevê a anulação de todas as dívidas dos trabalhadores, a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, o fim da escala 6×1 e a proibição de despejos e de corte de água, luz e gás para desempregados.

Previdência – a proposta é permitir a aposentadoria após 25 anos de trabalho para mulheres e 30 para homens, revogando tanto a reforma da Previdência quanto a reforma trabalhista. Para financiar aposentadorias e pensões, o PCO defende a taxação de grandes fortunas.

Educação – as bandeiras incluem o fim dos vestibulares, com livre ingresso nas universidades públicas, um piso salarial nacional de professores de no mínimo R$ 8,5 mil, eleição direta para todos os postos de gestão escolar e universitária, e a estatização do ensino pago.

Saúde – a candidatura propõe a retomada do programa Mais Médicos, a validação imediata de diplomas médicos nacionais e estrangeiros, a abertura ampla de vagas em cursos da área — sem vestibular — nas universidades públicas, e um piso salarial de R$ 8 mil para os profissionais do setor.

Economia –  o programa prevê a reversão de privatizações, como as da Eletrobras e da Vale, além de uma reforma agrária com expropriação de latifúndios e demarcação de terras indígenas.

Já no âmbito institucional – a plataforma do PCO propõe a extinção do Supremo Tribunal Federal (STF), com eleição popular e mandato revogável para juízes e procuradores, a dissolução da Polícia Militar, substituída por mecanismos de autodefesa dos trabalhadores, e a defesa da liberdade irrestrita de expressão.

Histórico eleitoral

Nas três disputas presidenciais em que efetivamente esteve na cédula, Pimenta terminou sempre em última colocação. Em 2002, obteve 38.619 votos. Em 2010, 12.206 votos. Em 2014, 12.324 votos, o equivalente a 0,01% dos votos válidos. Nas eleições de 2018 e 2022, o PCO não lançou candidato próprio à Presidência e declarou apoio informal a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ambos os pleitos. Em 2026, o partido retoma a candidatura própria, com Pimenta novamente à frente da chapa.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE/DivulgaCandContas); Gazeta do Povo; CNN Brasil; Correio Braziliense; Rádio Itatiaia; Agência Sertão; Jovem Pan; Brasil em Folhas.

Por: Maria Sofia Magalhães

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