Dirigido por Dandara Ferreira, Anatomia do Caos mergulha nos bastidores de um dos capítulos mais sombrios da história recente do Brasil. O documentário não se limita a revisitar a pandemia de Covid-19, ele disseca, com precisão cirúrgica, as engrenagens de uma crise sanitária que se transformou em tragédia política, resultando na morte de mais de 700 mil brasileiros.
A cineasta baiana, que conquistou o público com a cinebiografia Meu Nome É Gal, agora volta sua câmera para o Senado Federal. Com acesso inédito aos bastidores da CPI da Covid, Dandara Ferreira acompanhou de dentro a trajetória completa da comissão, capturando não apenas os depoimentos e confrontos, mas também os momentos de tensão, exaustão e indignação dos parlamentares que buscavam respostas em meio ao caos.
O filme revela como o discurso oficial não apenas falhou, mas deliberadamente construiu uma política de desinformação. A ciência foi colocada em xeque, a morte transformada em estatística e a dor coletiva tratada com deboche. Através de registros inéditos, documentos e entrevistas com senadores que integravam a CPI, a obra expõe as falhas estruturais na condução da crise e questiona: o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização?
Para além do registro histórico, Anatomia do Caos funciona como um espelho incômodo. Dandara Ferreira não permite que o espectador se acomode na posição de observador distante, as imagens “continuam nos olhando de volta”, como afirma a própria diretora. O documentário aborda uma ferida ainda aberta: a recorrente impunidade que marca os processos de CPIs no país, transformando investigações em encenações sem consequências reais.
A fotografia de Roberto Stuckert, a montagem precisa de Lara Beck e Renato Sircilli e a trilha sonora original de Fabrício Modesto compõem uma experiência cinematográfica que equilibra a urgência jornalística com a potência artística. O resultado é um documento essencial para a memória coletiva brasileira.
O lançamento, em 2 de julho, será acompanhado por um amplo circuito de exibições seguidas de debate em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Recife, Manaus, Curitiba e Fortaleza, reforçando o papel do filme como catalisador de reflexão e diálogo sobre o que vivemos, o que perdemos e o que ainda exigimos: justiça. Anatomia do Caos é, acima de tudo, um ato de resistência contra o esquecimento.
Duda Nicolich – 3º Período de Jornalismo





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