Quem olha de fora pode até pensar que a educação infantil é só um espaço de brincadeiras, mas na prática, é justamente ali, entre atividade e outra, que muita coisa importante começa a acontecer. É nesse ambiente que as crianças dão os primeiros passos na construção do pensamento, aprendem a lidar com sentimentos e começam a se relacionar com o outro. Dentro da sala de aula, não existe um padrão, cada criança aprende de um jeito, no seu tempo, e entender isso, faz toda a diferença.

 O professor Cláudio Alex, conta que o trabalho parte exatamente dessa escuta. “Como temos crianças com ritmos diferentes, agimos de acordo com o tempo de aprendizado de cada um. Dependendo da atividade, deixamos que façam sozinhas ou, caso precisem, ajudamos”, explica.

Mas antes de qualquer aprendizado mais formal, vem algo essencial: o vínculo. Para ele, quando uma criança se sente segura, o resto flui com mais naturalidade. “A partir do momento em que  a criança apresenta um vínculo de confiança, tudo fica mais fácil”, diz. E isso aparece nas pequenas coisas do dia a dia, na forma como elas brincam, interagem com os colegas e até na autonomia durante a alimentação. 

Já para a pedagoga Jéssica Dias, que trabalha com crianças de 2 a 4 anos, o desafio começa justamente na fase em que tudo ainda está sendo descoberto. “Eles estão deixando de ser bebês e começando a se entender como indivíduos. Só que ainda não conseguem expressar o que sentem direito”, conta. Por isso, situações como disputas por brinquedos ou choros frequentes fazem parte da rotina.

Além disso, tem toda a questão da adaptação dessas crianças. Algumas estão tendo o seu primeiro contato com a escola, lidando com a separação dos pais e com a nova rotina.  “Nosso papel é equilibrar tudo isso. Ao mesmo tempo que somos um porto seguro, também precisamos ensinar limites, mostrar que existe hora pra brincar, hora pra prestar atenção”, explica Jéssica.

Diferente do que muita gente imagina, não existe prova nem nota nessa fase. O acompanhamento é feito no dia a dia, com base na observação. Os professores registram tudo, como a criança brinca, se interage, como se alimenta, como reage às atividades. “A gente percebe a evolução nos desenhos, nas atitudes, na forma como se comunicam”, diz Jéssica. A participação da família, segundo ela, também faz toda a diferença nesse processo. 

As atividades precisam fazer sentido para a realidade da criança, dialogar com o que ela vive em casa e na comunidade. Até as brincadeiras têm propósito. “Nada é só por brincar. Tudo tem uma intenção, seja trabalhar a coordenação, a socialização ou até a autonomia”, afirma.

No fim das contas, é nos detalhes que tudo acontece. No momento em que a criança aprende a esperar sua vez, divide um brinquedo ou consegue fazer algo sozinha pela primeira vez. A educação infantil pode até parecer simples, mas é ali que se constrói uma base que vai acompanhar a criança pelo resto da vida.

Juliana Knauer, 7° período de jornalismo

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