Eclipse, dirigido e protagonizado por Djin Sganzerla, é um filme que aposta em múltiplas camadas narrativas para abordar a violência contra as mulheres sob diferentes perspectivas. O roteiro, assinado em parceria com Vana Medeiros, conta ainda com Sérgio Guizé, Luis Melo e Helena Ignez no elenco. A narrativa transita entre temas como abuso doméstico, exploração de menores e masculinidade tóxica, conectando universos distintos — da Amazônia ao ambiente digital — enquanto acompanha a trajetória de Cleo, uma astrônoma que tenta equilibrar vida profissional e pessoal.

Para distinguir essa diversidade temática, o longa recorre a metáforas simbólicas. O eclipse surge como imagem central, representando tanto fenômenos científicos quanto ideias de ocultamento da verdade e proteção da natureza. Elementos como a onça também ganham duplo significado, remetendo ao perigo e à violência, mas também à força feminina diante dessas ameaças.

O filme varia entre o drama intimista e o suspense com inclinações à ação, o que resulta em uma narrativa que nem sempre encontra equilíbrio. Seus momentos mais eficazes estão nas cenas cotidianas, que exploram com naturalidade os dilemas da protagonista, como a maternidade, o trabalho e as relações familiares, especialmente com a chegada da meia-irmã de Cleo, interpretada por Lian Gaia. A atuação de Sganzerla se destaca pela espontaneidade, contribuindo para uma construção mais próxima e humana da personagem.

Eclipse se sustenta pela proposta de discutir a sororidade e a união entre mulheres diante de diferentes formas de violência. Ao reunir personagens de origens diversas, o longa aposta em uma mensagem de resistência coletiva, mesmo que envolta em certo idealismo em relação às instituições e aos desfechos apresentados. A estreia está marcada para o dia 7 de maio, nos cinemas.

JULIANA KNAUER – 7° PERÍODO DE JORNALISMO

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