Os vagões femininos, que antes funcionavam apenas nos horários de maior movimento, passaram a operar 24 horas por dia nos trens e no metrô do Rio de Janeiro. A nova medida já está em vigor e tem como principal objetivo ampliar a proteção às passageiras durante todo o dia e não apenas em horários restritos.
Segundo dados do Instituto Patrícia Galvão, 97% das brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em meios de transporte. A nova lei reforça a necessidade de medidas voltadas à proteção das mulheres e busca combater os casos que são relatados até mesmo fora dos horários de pico nos transportes públicos.
A publicitária Beatriz Martins, de 23 anos, utiliza o metrô diariamente e relata o alívio de poder embarcar no vagão feminino durante a rotina de deslocamento para o trabalho.“Eu me sinto mais tranquila, mais segura mesmo. Não é que resolva tudo, mas já diminui muito o estresse e aquela tensão de ficar alerta o tempo todo”, afirma.

Beatriz Martins utiliza o vagão feminino sempre que pode durante o trajeto para o trabalho
A rotina de muitas mulheres nos meios de transporte exige atenção constante ao possível risco de abuso por parte dos homens. Beatriz relata que toda semana é comum ver casos de assédio nas redes sociais.“Acho que isso tinha que se tornar obrigatório para todos os transportes públicos. Porque o problema não é só no metrô e infelizmente são medidas que precisam ser tomadas por questão de segurança pública”, opina a publicitária.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec (2026) aponta que 7 em cada 10 mulheres afirmam já ter sofrido assédio, principalmente em espaços públicos e no ambiente de trabalho. Nesse contexto, os vagões femininos representam uma importante medida de proteção, embora a origem do problema seja mais profunda e revele uma questão estrutural enraizada na sociedade.
Apesar da sinalização e ampla divulgação da nova medida dos vagões femininos, alguns homens ainda desrespeitam a norma e ocupam os espaços destinados exclusivamente às mulheres. Diante desse cenário, a atuação da fiscalização torna-se essencial para garantir o cumprimento da lei.

Nas redes sociais, Charlles Batista, fiscalizador que atua no sistema ferroviário do Rio de Janeiro, compartilha a rotina de fiscalização nos transportes públicos. A atuação no vagão feminino ocorre de acordo com a demanda de denúncias registradas nas estações.“Paramos o trem com o apoio da SuperVia e retiramos todos os homens que insistem em embarcar no vagão feminino”, explica.
Para Charlles, a nova lei que amplia o funcionamento do vagão feminino representa um avanço importante para a segurança das passageiras, uma vez que o assédio pode ocorrer em qualquer horário. O fiscalizador destaca que a intensificação das fiscalizações e das ações de conscientização já começa a refletir diretamente no comportamento dos passageiros ao longo do tempo.

Charlles Batista atua na fiscalização dos vagões femininos para garantir o cumprimento da lei e a segurança das passageiras.
Segundo Charlles, muitos homens passaram a respeitar mais a regra após o aumento das fiscalizações. Apesar disso, ainda há registros de descumprimento. “Nós fiscalizamos, mas também conscientizamos a população sobre a importância do vagão feminino”, conclui.
Charlles Batista incentiva passageiras e reforça o compromisso com a fiscalização nos transportes públicos.
Novas medidas vêm sendo adotadas para ampliar a proteção e a sensação de segurança das mulheres durante o deslocamento pela cidade. Aplicativos como a Uber e 99 expandiram recursos para permitir que passageiras solicitem corridas exclusivamente com motoristas mulheres, visando maior segurança e conforto.
Para Beatriz, ações desse tipo representam uma resposta emergencial diante de um problema mais amplo.“É pelo menos uma forma de proteção imediata, mas isso não pode ser a única solução. Tem que vir junto com educação, fiscalização e punição mais rígida”, afirma.
Embora medidas de proteção sejam importantes, o enfrentamento ao assédio depende de ações estruturais e permanentes, capazes de promover mudanças de comportamento e garantir mais segurança às mulheres em todos os espaços da cidade.
Julia Alves, 8° período de Jornalismo





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