Agência UVA Barra Assistiu: Águas Selvagens

Foto: Divulgação

Águas Selvagens, uma coprodução argentina-brasileira, é o mais novo longa do cineasta Roly Santos. A trama traz uma história do subgênero neo-noir, expressão francesa designada para os filmes com temática policial.

O filme nos introduz à uma investigação de assassinato que ocorre na região da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), comandada pelo ex-policial Lúcio Gualtieri. O investigador argentino precisa ao mesmo tempo lidar com questões conflituosas da vida pessoal e enfrentar uma teia de criminosos envolvidos em tramas de assassinatos, tráfico de menores, prostituição e muita violência. A produção será distribuída no Brasil pela produtora Imagem Filmes e conta com um elenco que mistura atores argentinos, brasileiros e uruguaios. 

Por mais que a expectativa e curiosidade para conhecer o fruto dessa parceria entre Brasil e Argentina fosse alta, teme-se que a ficção não tenha superado o que lhe foi esperado. O roteiro, assinado por Óscar Tabernise que também é escritor do livro “El Muertito” e que inspirou o longa, constrói uma narrativa fraca e inconsistente com o potencial que o mistério da última investigação de Gualtieri possuía. A discussão acerca de temáticas delicadas como a pedofilia e exploração de menores, que são essenciais para o desenvolvimento da trama central do filme, acaba por ser desperdiçada após não obter aprofundamento algum durante os 108 longos minutos de duração do filme.

A superficialidade rondou outros pontos técnicos de Águas Selvagens. Sem muitos destaques nas performances, a quantidade exagerada de personagens introduzidos na narrativa perde no ritmo. Personagens esses, que estão presentes para ajudar o ex-policial na coleta de informações e na construção da solução do caso, porém acabam por deixar o seu entendimento mais confuso e bem menos estimulante.

A inconsistência na atuação e a performance pouco energética de grande parte do elenco, contribuíram para que se criasse um tom artificial nas relações entre os personagens e até mesmo caricato em alguns momentos. A direção de Roly Santos também peca em algumas decisões para os picos do roteiro. O resultado é um ato final repleto de cenas de ação que não atingem o público da forma que geralmente acontece nas resoluções dos crimes de drama policial.

Com a sonoridade bem característica de instrumentos que lembram o tango argentino, a trilha sonora ajudou a construção dos momentos de tensão, paixão e ação. Porém, a repetição do mesmo instrumental durante todo o longa acabou por tornar o mesmo um tanto quanto cansativo, além de transparecer uma ideia de spoiller ao espectador, que ao escutar a mesma música surgir, já antecipava o que estava por vir na cena seguinte.

Águas Selvagens faltou entregar algo além dos clichês que já estamos acostumados a ver no gênero policial. Uma premissa com potencial alto, mas que se perdeu devido aos problemas de execução. O filme estreia no dia 12 de maio nos cinemas. 

Assista ao trailer.


Bruno Barros – 1º período

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