Rede de apoio ajuda na prevenção de doenças degenerativas em idosos

O convívio e o diálogo trazem benefícios e contribuem no processo do envelhecimento

Ter com quem interagir, desabafar ou bater um papo traz alívio para a vida de qualquer pessoa, principalmente dos idosos. Segundo o artigo “Prevenção do Declínio Cognitivo” realizado pela CHUC (Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra) o envelhecimento saudável requer algumas condições essenciais, como: uma mente mais ativa, contexto social adequado, produtividade e satisfação.

O termo resiliência cognitiva traz um conceito associado à capacidade de permanência ou preservação das habilidades intelectuais de uma pessoa. A médica com Phd em Neurociências Luana Chagas, explica que as alterações naturais vêm com a idade e estão diretamente associadas às modificações físicas do cérebro, em áreas relacionadas ao processamento cognitivo. “De acordo com este trabalho de resiliência cognitiva, o indivíduo se sairia melhor ao desempenhar tarefas que ajudam a exercitar as memórias guardadas no cérebro”, alega Luana.

A pesquisa mostra que ter um envolvimento social ajuda na prevenção contra doenças degenerativas. Desenvolver e manter uma forte rede de amigos e a interação pessoal cara a cara mantêm o cérebro mais saudável. O acolhimento traz tranquilidade, ajuda no controle da ansiedade e torna o processo de envelhecimento mais leve.  

A dona de casa, Ilma Souza, de 70 anos, conta que adora conversar. Em 2020 ela passou por dificuldades pessoais e necessitou de todo o apoio de sua família. “Eu acredito que todo mundo precisa de alguém para desabafar. Poder se abrir e falar o que pensa e o que está dentro do seu coração é uma necessidade muito grande para qualquer um”, declara. 

O simples ato de desabafar em uma situação frustrante é capaz de proporcionar uma sensação de tranquilidade para a mente. A relevância de um bate papo com os idosos, traz para a vida deles um contexto positivo, alegre, fornecendo a sensação de inclusão. Além disso, ajuda nos benefícios para a saúde mental e cerebral, afastando sintomas depressivos associados à exclusão e ao isolamento.

A Geronto Psicomotricista Vera Lúcia Ferreira, ressalta a importância da parceria e do acolhimento dos familiares nesse momento em que todos ficaram isolados, devido à doença do coronavírus. “Com o uso da tecnologia, os idosos receberam ajuda dos filhos, netos, entre outros, para se manterem conectados e ativos nas atividades propostas para a prevenção de qualidade de vida e mesmo assim ter com quem conversar”, relata Vera.

A psicóloga Djanete Pedrosa Zeviani explica que bem no início da pandemia o apoio terapêutico foi essencial. “Eles encontravam na terapia uma forma de acolhimento, apoio, força emocional para seguir em frente, sabendo que muitas outras atitudes aliadas à terapia fazem a diferença, como por exemplo, não deixar de ir ao médico, ligar ou se possível estar com pessoas queridas e se cuidar fisicamente”, expressa.

A fala pode ser uma das melhores  maneiras de cuidar da saúde física, mental e emocional, pois alivia as tensões e ajuda a descarregar os problemas. Devido a pandemia do coronavírus, o número de idosos que procuraram ajuda terapêutica aumentou graças à necessidade de dialogar com alguém, ainda mais por conta do distanciamento social e familiar. 

Para Telma Castro, dona de casa de 68 anos, desabafar é uma questão muito difícil. Ela gostaria de se abrir mas para libertar suas frustrações pessoais. “Se eu pudesse escolher, adoraria muito ter uma ajuda terapêutica, mas que fosse totalmente fora do meu convívio,  porque comunicar com alguém do meu ciclo social é complicado e me deixa desconfortável”, conta.

De acordo com a médica Luana Chagas, quando os idosos manifestam seus sentimentos e praticam a linguagem, eles podem vir a resgatar memórias e assim, exercer uma espécie de treino constante com prática e repetição que mantém o cérebro mais ativo, além de proporcionar o bem-estar de ter alguém ali para ouvir.

A dona de casa Ilma Souza conta como o benefício de conversar a deixa confortável e alegre.

Ana Júlia Queiroz – 6º período

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