‘Prontuário afetivo’: humanização no tratamento de pacientes com Covid-19

Atitude inspira outros profissionais pelo Brasil 

Uma pesquisa realizada pela Fiocruz sobre Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19 demonstra que quase metade dos entrevistados admite excesso de trabalho, com jornadas que ultrapassam 40 horas semanais. Mesmo com um cenário adverso, ainda é possível encontrar atitudes simples que transformam as unidades de saúde e a vida dos pacientes.  

No Hospital Universitário de Brasília, a médica Isadora Jochims criou uma forma de humanizar os prontuários médicos. Além de informações técnicas, identificou nesses registros os gostos e paixões dos pacientes atendidos por ela. Os prontuários afetivos servem para lembrar os pacientes sobre desejos, familiares e vida. Dessa forma, a médica acredita que pode transformar a passagem pelo hospital de um momento de fragilidade para um ambiente mais acolhedor.   

A reumatologista Isadora Jochims é uma defensora de intervenções artísticas nos hospitais. (Foto: Arquivo Pessoal)


Segundo a médica, a ideia de criar uma intervenção artística na unidade de saúde tem como finalidade aumentar a aproximação entre os pacientes e a equipe médica e de amenizar o distanciamento exigido pelas restrições causadas pelo vírus. 

“O prontuário foi feito nesse sentido, de mudar a relação das pessoas naquele espaço, mudando a relação da equipe de saúde com os familiares, dos familiares com a equipe de saúde e da equipe de saúde com o paciente… Sendo a materialização do afeto da família.” 

-Isadora Jochims

E como notícia boa se espalha, a atitude viralizou nas redes sociais e serviu de espelho para outros profissionais. Foi através de uma publicação, que a enfermeira Domitília Bonfim, também em Brasília, foi motivada a fazer o mesmo. “Quando fiz meu primeiro prontuário afetivo, enviei para a doutora Isodora, que amou e logo postou nas redes sociais. Em questão de minutos a coisa explodiu de vez”, revela Domitília. Em pouco tempo, a ideia do prontuário afetivo alcançou outros estados como São Paulo, Piauí e Goiás. 

Isadora Jochims compartilha as intervenções artísticas através de suas redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)

A psicóloga hospitalar Paula Rezini que atua diretamente com pacientes infectados pelo Coronavírus internados no Hospital Santa Teresa, na cidade de Petrópolis, ressalta a relevância desse tratamento no enfrentamento à pandemia. “A atitude dessa médica com certeza faz a diferença no tratamento dos pacientes, é uma atitude muito humana”, reconhece a profissional.

Alternativa busca cuidar de pacientes observando prazeres pessoais. (Foto: Arquivo Pessoal)



Ouça o áudio no qual Paula deseja que atitudes como a da médica continuem se multiplicando: 

Cansadas de ouvir que estavam em guerra, Isadora, Domitília e outros profissionais da saúde seguem dando conforto àqueles que passam pelas suas unidades de saúde. Transformam um campo de batalha solitário em aproximação entre seres humanos que se recusam a deixar a sensibilidade de lado. 

 ‘’Nesse contexto de mortes o tempo todo, uma estratégia utilizada é se afastar do paciente, se afastar da história dele, para ficar mais fácil suportar. Isso perde o cerne da saúde, que é o afeto, cuidado, dedicação… E a humanização resgata isso’’

– Isadora Jochims 
Maria Eduarda Bortoloto - 3º período 
Artur Lopes Lavinas - 3º período 

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