Professores da rede estadual enfrentam dificuldades e vencem desafios para dar aulas durante o isolamento social

As salas de aula agora são virtuais.Com escolas sendo alguns dos principais espaços que devem permanecer fechados durante a pandemia, professores em todo o mundo se viram obrigados a transferir as aulas para o formato de Conferência de vídeo, e assim tem sido. Mas na rede estadual, que conta com mais de 700 mil alunos, grande parte não dispõe de fácil acesso a tais tecnologias, não é tão simples fazer dessa maneira. A determinação do Governo do Estado foi então usar uma plataforma gratuita: o Google Classroom (Sala de Aula).

Professores da Escola Estadual Professor Alfredo Maurício Brum, em São João de Meriti, estão passando pela experiência de dar suas aulas com o uso do aplicativo. A professora Ana Lúcia Simões (50), de Educação Física, conta as dificuldades de uma mudança de um modelo prático para um exclusivamente teórico: “Antes a escola não tinha quadra, então eu já dava aulas teóricas da minha matéria, mas já havia me habituado a trabalhar na quadra com os alunos. Mudar assim, e de uma forma tão drástica, tem sido bem complicado”.

A plataforma permite que professores enviem tarefas e criem questionários para os alunos responderem, mas manter a atenção dos jovens no conteúdo não é tão simples como na aula presencial, já que o aluno só precisa enviar uma resposta e assinar uma lista para receber a presença, e nada garante que esteja realmente focado no conteúdo. A professora de Ciências, Adriana de Oliveira (43), diz que faz o possível para tentar fazer os alunos participarem, mas nem sempre tem sucesso: “Eu não tenho como verificar nada, então tudo que posso fazer é pedir a participação de todos e dizer que vou tirar ponto de quem não participar. A gente faz o que dá, e é até difícil, sabendo das circunstâncias que algumas dessas crianças enfrentam”.

A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ) se comprometeu a imprimir e entregar o material aos alunos sem acesso à internet, além de considerar abrir algumas escolas e disponibilizar os computadores das salas de informática. Dessa forma, os professores podem dar suas aulas sem esta preocupação, mas é claro que não é tão simples. Apenas 30% dos alunos têm comparecido às aulas e, apesar deste número estar dentro das expectativas, mostra que as medidas não foram tão precisas e que a dificuldade continua.

A orientadora educacional Karla Kardozo(44) é responsável por tomar conta do núcleo de alunos e professores na escola. Ela organiza conferências de vídeo com os professores para conversar sobre o procedimento das aulas e discutir possíveis novos métodos para utilizar na plataforma: “Nós temos aqui professores que gostam de estar mais próximos dos alunos, assim como temos aqueles com uma aproximação mais tradicional ao ensino. Queremos sempre fazer o possível para satisfazer todo mundo, principalmente o aluno, mas claro que dentro das nossas possibilidades nessa situação por que estamos passando”.

Bernardo Barcelos – 3º Período | Jornalismo

*Texto produzido na disciplina Teoria e Técnica da Notícia em parceria com a Agência UVA Barra.

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