Depressão e Ansiedade em tempos de Coronavírus

Como as pessoas que já enfrentam fobias e transtornos psicológicos estão lidando com a pandemia

A pandemia de Coronavírus está afetando não só a saúde física, mas também a saúde psicológica e emocional de muitas pessoas. Aproximadamente 5,8% da população brasileira sofre de depressão – um total de 11,5 milhões de casos e cerca de 18,6 milhões convivem com o transtorno de ansiedade, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). E para quem já enfrentava esse temor excessivo diariamente, o período de quarentena não tem ajudado. O avanço da tecnologia faz com que as notícias se propaguem muito rapidamente, e o excesso de informação em tempo real gera uma sensação de proximidade com o perigo.

“Não posso ficar com a cabeça vazia e nem assistir ao noticiário. Tento equilibrar tudo o que está acontecendo para controlar as minhas crises”, afirma Letícia Pereira, que no momento está desempregada e faz tratamento para ansiedade e depressão há algum tempo. “Precisei mudar as minhas medicações. As crises passaram a ser muito frequentes e a medicação que eu tomava já não fazia mais efeito”, conta a jovem de 25 anos. Ela reitera: “Às vezes fico completamente desesperada”.

O período de incertezas, o medo de contrair o vírus ou de perder um ente querido é potencializado com os efeitos do isolamento social. A psicóloga Katiely Rodrigues, formada pela Universidade Católica de Brasília, assegura: “A solidão age como vilão para aqueles que sofrem destas doenças, pois o isolamento social aumenta o risco de pensamentos contínuos em situações problema, desta forma não há alívio ou descontração”.

Em tempos de isolamento, os aplicativos de mensagens têm sido um aliado para amenizar a solidão e uma tentativa de normalizar a rotina do analista de sistemas Vinicius Silva, de 39 anos. “Em alguns dias eu me sinto esmagado por tudo que está acontecendo. Mas, sempre que é possível e estou minimamente bem, tento apoiar meus amigos e familiares. E isso acaba me ajudando também, pois percebo que, apesar de tudo, ainda tenho alguma força para ajudá-los de alguma forma. Então, é algo que acaba retornando de forma positiva para mim também”.

As plataformas e os aplicativos de chamada de vídeo se tornaram uma alternativa viável e muito procurada para aproximar pessoas e possibilitar discussões. De acordo com pesquisas da App Annie, aplicativos de videochamadas receberam 62 milhões de downloads apenas durante a primeira semana de março. Ainda de acordo com as recomendações da OMS, as consultas psicológicas só estão sendo realizadas via online.

A fim de amenizar esse distanciamento, a psicóloga reforça: “É necessário que alimentemos nossa mente com coisas agradáveis, que propiciem maior tranquilidade e bem estar. O ambiente virtual pode ser aliado daqueles que estão solitários neste período de quarentena, vale ressaltar que é o equilíbrio na utilização que fará diferença”.

As mudanças no ritmo das relações sociais serão afetadas após a pandemia. A profissional também fala sobre a possibilidade de um melindre entre o contato interpessoal e o medo excessivo quanto ao ambiente e a ansiedade: “Todos estes aumentam os gatilhos e sintomatologia das fobias, além de potencializarem o aumento na síndrome do pânico”.

Karollyne Ferraz Cavalcante – 5º Período | Jornalismo

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