Agência UVA Barra assistiu “Encontros”

Foto: Distribuição – Imovision Brasil

Encontros (Deux Moi), do diretor francês Cédric Klapisch, é uma comédia dramática que, à sua maneira, tece críticas de modo indireto as redes sociais, justificadas pela má utilização da maioria das pessoas. A história acompanha Rémy Pelletier (François Civil), jovem que trabalha numa fábrica onde quase todo o seu grupo será substituído por robôs treinados para executar as tarefas de maneira mais eficiente. Mélanie Brunet (Ana Girardot) é uma jovem introspectiva e promissora cientista que tem dificuldades para falar em público. Ao ser eleita pela empresa para defender a pesquisa a qual coordena, seu sistema nervoso desregula e passa a dormir por volta de 14 horas por dia. Tentando encontrar a felicidade em diferentes redes sociais, ambos procuram a ajuda de especialistas no assunto. Rémy frequenta um psicoterapeuta, J. B. Meyer (François Berléand), Mélanie tem sessões de terapia com uma psicóloga (Camille Cottin).

O roteiro constrói paulatinamente o perfil dos personagens com informações importantes do passado e nos ensina que por mais que tentemos esquecer, deixar para trás ou superar nossos problemas, o caminho mais acessível para a felicidade é a autodescoberta e o amor-próprio. Este é o mote principal por trás da narrativa. É sob esta ótica que dentre todas as subtramas do roteiro de Santiago Amigorena e Cédric Klapisch, há uma montagem para acompanharmos a evolução de cada personagem, inclusive nas cenas onde ocupam o mesmo local, no mesmo momento, mas nunca trocam olhares. São vizinhos de janelas, fazem compras no mesmo mercado, utilizam o mesmo transporte público e se esbarram pelas ruas em seus cotidianos, mas nunca se veem.

O olhar da câmera desenhado por Élodie Tahtane é bem naturalista, com mais brilho e contraste para o mercadinho árabe comandado por Mansour (Simon Abkarian), na concepção de realçar os temperos que a vida precisa ter, bem como uma espécie de invisibilidade para Rémy e Mélanie, pois estão sempre em ambientes mais escuros e acinzentados. A sonorização segue o mesmo princípio, com cada apartamento sendo uma espécie de isolamento acústico, ecoando um pouco da amargura de cada um. A trilha sonora contrasta momentos de introspecção e intimismo com o devaneio e o desconforto, apostando em relaxantes canções de jazz à aceleradas músicas eletrônicas.

O elenco demonstra sempre estar à vontade em cena. Todas as atuações são críveis e fidedignas, com destaque para os dois protagonistas, François Civil e Ana Girardot, bem como para o caricato Simon Abkarian, que capta bem a essência do povo de origem árabe que habita a França na atualidade, em especial a capital Paris. Há um quebra-cabeças montado por Cédric Klapisch intimamente conectado as questões mentais e sentimentais envolvendo Rémy e Mélanie, com cenas de expressões faciais e falas caracterizadas pela sutileza e informações quase silenciosas, bem como uma representação psicodélica dos sintomas de um transtorno.

No fim das contas, “Encontros” carrega uma mensagem que alerta, antes de qualquer outra premissa, sobre a necessidade de se buscar o autoconhecimento e que pedir ajuda a alguém, principalmente um profissional, não deve ser encarado como vergonhoso, mas como essencial.

O filme estreia no dia 03 de outubro nos cinemas.

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Kadu Zargalio – 4º Período | Cinema e Audiovisual

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