Agência UVA Barra assistiu: “X-Men: Fênix Negra”

Foto: Fox Film divulgação

Simon Kinberg foi o escolhido para dirigir X-Men: Fênix Negra e teve o aval de todo o elenco. Juntos, puderam discutir e colocar suas ideias em prática, dada a flexibilidade do diretor, mesmo estreante na função, mas com uma sólida carreira de roteirista. Pelas mãos de Kinberg saíram alguns roteiros da franquia, como X-Men: Confronto Final, X-Men: Primeira Classe, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido e X-Men: Apocalypse.

A escolha, apesar de interessante, apresenta falhas em sua concepção final e nos fornece um filme com erros e acertos. A Marvel, como demonstrado pelos seus últimos filmes – Capitã Marvel e Vingadores: Ultimato – mostra um esforço para valorizar as heroínas e o sexo feminino em seu universo, o que é uma ideia louvável e que funciona muito bem nos dois filmes, mas que falha, por excesso, em X-Men: Fênix Negra.

O discurso feminista, presente em todo o filme, perde o significado de empoderamento, assumindo a característica de bravata. Por mais que seja um esforço necessário, o filme se repete constantemente nas mesmas fórmulas de reforçar a questão feminista. Uma pena, pois as heroínas precisam de mais espaço em universos dominados por figuras do sexo masculino. Excessos à parte, um acerto do longa foi Jessica Chastain, que aceitou o convite ao ser informada que seria uma personagem feminina importante, independente do sexo masculino. Não é exatamente uma mulher, trata-se da líder de um grupo extraterrestre que persegue a energia fênix pelo espaço e que se apropria do corpo e da mente de uma mulher, mas reforça o argumento do poder feminino.

Com um roteiro carregado de clichês e artifícios para se posicionar com o público atual, X-Men: Fênix Negra, por vezes, parece forçar a barra para ser aceito como um produto que valoriza e combate paradigmas humanos, como o patriarcado, representado pela Escola para Mutantes do Professor Xavier, enquanto deixa de explorar a própria evolução de Jean Grey, de outros personagens e acelera os acontecimentos sem dimensioná-los com a profundidade necessária.

A linguagem visual favorece as cenas escuras, de baixa saturação, climas chuvosos e close-ups de forte emoção. Neste aspecto, remete ligeiramente ao filme Logan. É um acerto. Inclusive, foge das famosas piadas colocadas em lugar errado em vários dos roteiros de super-heróis. O clima melancólico acompanha a narrativa durante toda a sua duração e é ampliado pela trilha sonora hermética de Hans Zimmer. Infelizmente, alguns personagens foram subaproveitados, tais como Ciclope e até a Mística, com atuações novelísticas de ambos.

É um filme melhor que alguns dos outros de seus antecessores da Fox, mas que ainda está longe de entregar ao público um serviço de fan-service, algo que fez do universo dos Vingadores uma verdadeira potência cinematográfica da Marvel. Que este seja um pontapé inicial para melhores filmes com os mutantes.

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Kadu Zargalio – 3º Período | Produção Audiovisual

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