Política e o papel da juventude

Palestra reúne Marcelo Freixo, William Siri e Yamê Tomé para fomentar o senso crítico na universidade

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Foto: Bruna Barros

Segurança pública, “Rio do Espetáculo”, genocídio de jovens negros e periféricos, violência contra mulher, farras fiscais, sucateamento policial, desmilitarização da Polícia Militar, morte política de Marielle Franco e o papel do jovem como agente transformador. Estes foram alguns dos temas abordados, nesta última terça-feira, no evento que trouxe a jovialidade de William Siri (PSOL), vereador suplente do Rio de Janeiro; o empoderamento de Yamê Tomé, advogada da OAB Mulher e a força política do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL). A palestra, que foi uma realização da Atlética Direito Veiga com a Universidade Veiga de Almeida (UVA), teve as inscrições esgotadas e o auditório lotado com estudantes sentados até mesmo no chão.

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Foto: Ighor Vidal

E foram os alunos que, de forma atenta e participativa, vibraram até o final com os questionamentos e dados apresentados pelos convidados. “Hoje, no Brasil, os números de jovens vítimas de homicídios são de guerra. É um genocídio. E este genocídio tem cor e todos nós sabemos”, declara Yamê Tomé sobre os números oficiais que denunciam a morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país – de acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado (CPI) sobre assassinato de jovens de 2016. Ela ainda assume o privilégio de ser uma mulher negra e conseguir espaço de fala em lugares diversos, incluindo as universidades. “Sei que sou uma exceção, por isso luto por essa classe. Quero que todos se sintam representados e capazes, para não desistirem, porque nós somos o futuro”.  

Essa reflexão do papel do jovem na sociedade também é deixada por William Siri. Com descontração, linguagem jovem e bem humorada, o morador de Campo Grande e formando em Economia, pontua a falta de inclusão de políticas públicas para a zona Oeste e as dificuldades dos moradores dessa região. “Ninguém sequer considera Campo Grande, Santa Cruz, Seropédica, etc como Rio de Janeiro. Vivemos às margens e negligenciados pelo governo”, afirma Siri que ressalta a diferença da quantidade de núcleos culturais entre a zona Sul e Centro – 206 – para a toda zona Oeste – 26 – que evidenciam e contribuem para este quadro de desigualdade. A mesma desigualdade que, de acordo com Siri, agravou a situação da Segurança Pública e deu espaço a medidas extremistas como a intervenção federal. “Sergipe tem o dobro do número de homicídios que o Rio. O estado de exceção atual foi claramente uma jogada midiática de um governo desesperado por apoio político”

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Foto: Ighor Vidal

Se nas falas de Siri já se detectavam indignação e provocação com o governo vigente,  foi possível enxergar ainda com mais facilidade este tom no discurso assertivo e firme do Deputado Estadual Marcelo Freixo. O deputado, que foi responsável pela prisão de mais de 200 milicianos, em 2008, na CPI das Milícias e pelo projeto de lei 3.234/17, que cria o Programa de Segurança e Saúde no Trabalho dos Agentes de Segurança Pública do Estado, defendeu com veemência a desmilitarização da PM. “As pessoas gostam de apontar o dedo e gritar que defendo bandido, mas a desmilitarização – modernização, como prefiro chamar –  é a favor da polícia, em transformá-la numa instituição civil, com um treinamento para proteger a cidade e não para entrar em guerra”. Freixo ainda destacou a importância de debates como aquele dentro das universidades. “Aqui é espaço para pensamento crítico, empoderamento político e transformação”.

E foram com essas características que os universitários questionaram os convidados na abertura de perguntas em blocos do debate. Ávido por respostas e seguro da importância da militância dentro da UVA, Felipe Arthur, presidente do coletivo Acorda UVA, pontuou a problemática na Segurança Pública no Rio, criticou a intervenção federal e enfatizou o papel político dos jovens de transformação. “Esse envolvimento com a política e a realidade atual é o que os alunos precisam para perceberem a relevância de seus atos para a sociedade”. É esse pensamento que permeia o Circuito Universitário, liderado por William Siri, que tem por objetivo levar o debate político para dentro das instituições de ensino público e privado. “O que a gente sempre espera é deixar a semente da mudança dentro dos jovens e unir forças na luta contra tudo que nos oprime”.

Giovanna Faria, 6º período e Yhara Linka, 7º período.

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