A crença vence a intolerância

Como o amor e a fé podem ser aliados à luta pelo respeito às religiões afro-brasileiras

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Foto: Bárbara Faria

O direito ao respeito deve ser de todos. Em uma sociedade rodeada de preconceitos, enfrentam-se ainda muitos conflitos ligados às religiões. São grupos, aparentemente, opostos, com crenças e princípios distintos que vão contra ideais de terceiros. No último domingo (06/05), a Mystic Fair, que aconteceu no Clube Monte Líbano, no Leblon, abriu espaço para que essa questão fosse debatida em mais uma edição. “A fé e o amor aos Orixás: superando a intolerância religiosa” foi o tema levantado pela Mãe Rosada D’Oya, dona de um barracão há 12 anos.

Os ataques surgem de diferentes formas. Agressões físicas e verbais e depredação de locais associados à determinada fé são alguns dos exemplos de atitudes que compõem a intolerância religiosa. As práticas mais comuns são contra religiões afro-brasileiras. A destruição de terreiros aumenta cada vez mais e as denúncias crescem na mesma proporção. O Estado é considerado laico e há uma lei, nº 9.459, de 15 de maio de 1997, que diz assegurar o livre exercícios de religiões no Brasil. O problema é que nem sempre é eficaz.

Mesmo que haja ajuda, não costuma surtir muito efeito. A dona de um terreiro em Jundiaí, interior de São Paulo, Mãe Rosana D’Oya, perdeu grande parte de seu barracão de Candomblé em um incêndio criminoso em setembro de 2017. Ela relatou que a força para reerguer o local veio dos Orixás. “Os meus ícones religiosos não foram afetados por um axé. A parte principal, não me pergunte como, não foi afetada pelo fogo, mas o resto virou cinza. Não me desesperei, nem me revoltei. Eu tentei entender e deixar tudo acontecer”, relembra.

Essa preocupação e a luta é de todos os praticantes religiosos. Ana Paula Macedo, de 48 anos, foi à feira pela primeira vez e resolveu assistir à palestra, porque acredita na força do espiritismo. “Eu sou bem espiritualista. Sou da Umbanda, mas me interesso pelas histórias dos Orixás do Candomblé e tenho respeito pelas diferenças”. Ela ainda repara que esse tema de intolerância religiosa ganhou mais atenção nos últimos anos. “Mesmo assim, ainda há uma imagem muito negativa pelo espiritualismo”, lamenta.

Essa ausência de conhecimento pode acontecer até dentro de uma religião. A jovem de 26 anos, Yasmim Vieira da Silva, conheceu a feira através de uma perfil de uma marca de produtos naturais no Instagram que estava sorteando ingressos para o evento. “Assisti a palestra porque minha mãe é do Candomblé e da Umbanda, é algo presente na minha vida desde pequena, mas eu tinha um certo preconceito”, conta. Essa mudança de opinião foi devido a uma viagem para a Índia, onde fez uma formação de Yoga, ao voltar, começou a pesquisar e entrar em contato com a religião.

A palestra sobre intolerância contra as religiões afro-brasileiras mostrou o cuidado que se tem com a sobrevivência dessas crenças. Com a ajuda da mídia e dos resultados das próprias lutas, a visibilidade e a força desses fiéis só aumenta. A mensagem que fica é a importância do respeito com todo o tipo de crença. A mãe-de-santo Rosana D’Oya finaliza com o lema: “Não importa a religião, nós devemos acreditar e respeitar tudo e todos”.

Bárbara Faria, 5º período

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