Cultura e resistência cigana

Maior festival místico do mundo explora a história do povo cigano e derruba estereótipos

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Foto: Yhara Linka 

Perseguidos pelos nazistas no Holocausto e população reduzida pela metade na Europa do século XX. A partir do primeiro contato com o mundo ocidental, o povo cigano sofreu todos os tipos de intolerância culturais, religiosas, política, raciais e sociais. Ligados aos estereótipos de ladrão e aproveitadores, por viverem de forma nômade e livre, estudiosos estimam uma população 15 milhões de ciganos espalhados pelo mundo. Tonya Maga, cigana que há sete anos é convidada para o Mystic Fair, palestrou para o Anfiteatro lotado do Clube Monte Líbano, no Leblon, neste domingo (06/05). Sorridente e intensa em cada palavra, Tonya elucidou, divertiu e emocionou a plateia sobre a cultura cigana.

Essa cultura milenar, que ainda é pouco conhecida pela maioria, desperta curiosidade e instiga o imaginário popular. Estes fatores fizeram com que as escadas do anfiteatro fossem ocupadas e superlotassem a palestra “Ciganos – Tradição e encantos através do tempo”. De vestido azul exuberante, colares, pulseiras e lenços, Tonya, que é advogada, taróloga, terapeuta holística e cigana, focou em desmitificar os estereótipos em volta deste povo. “É tão importante poder falar e descontruir preconceitos de uma cultura que até hoje é marginalizada; mostrar que somos símbolo de resistência através do amor, luz, respeito e união”, declara com brilho nos olhos e emoção contida.

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Foto: Pablo Siviero

Emocionada também ficou a plateia durante o discurso de amor e solidariedade durante o evento. “É lindo ouvir e sentir a energia de palavras tão fortes e verdadeiras de fraternidade e esperança de um povo tão lindo quanto o cigano. Essa espiritualidade está muito além de qualquer religião”, pontua a psicóloga espiritualista Elisabeth Lacerda. Dicas de encantos para diversos fins (amor, ascensão profissional, saúde e proteção espiritual) também estavam na pauta de Tonya. A ferradura virada para cima para atrair conquistas, a âncora como símbolo de segurança, firmeza e a taça para a fertilidade foram alguns dos exemplos de objetos que são populares entre os ciganos.

A maior feira mística do mundo possibilitou, por pelo menos dois dias, um ambiente em que temas como estes fossem abordados de forma naturalizada e proporcionou a união de tribos e religiões livres de qualquer estigma. Ciganos, bruxos wiccas, umbandistas, candomblecistas, hare kristna, entre outros, compartilharam o espaço do Clube Monte Líbano de forma harmônica e complementar. “Para mim, esse evento é um ponto de luz. Não há espaço para intolerância. Estamos compartilhando amor para que tenhamos um mundo melhor na certeza de que o bem sempre vence o mal”, conclui Elisabeth.  

Yhara Linka, 6° período

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