O mundo em um só lugar

A 57° Feira da Providência atrai o público e exibe produtos dos mais variados países

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Foto: Isabelle Amancio

Hoje é fácil viajar sem sair de casa. A internet, com sua gama infinita de imagens, informações e programas como Google Earth e Google Street View, levam aos mais diversificados cantos do planeta em questão de segundos. Entretanto, quem compareceu ao Riocentro nos últimos dias teve a chance de ter experiências mais próximas da realidade. A última edição da Feira da Providência, que atraiu grande público no último fim de semana, manteve a tradição de aproximar a cultura de outros países para os brasileiros, que tiveram acesso a produtos artesanais, industrializados e até comestíveis.
Uma das nações mais presentes na Feira foi o Egito, cuja pirâmide posicionada no pavilhão ajudava o público a se localizar. Ao lado se encontrava o stand do país, que contava com inúmeras joias e peças típicas da região. O proprietário do espaço, Essam Elbattal, que é originário do Cairo, acredita que a maioria das pessoas tem curiosidade sobre a história do Egito Antigo. “Eles possuem interesse em saber como foram construídas as pirâmides e a razão de termos estátuas com cabeças de animais e corpos de homens. Aqui não se consome apenas artesanato, se consome cultura também”, conta Essam. Ele vive no Brasil há mais de 20 anos e atua no Museu Egípcio Itinerante, na sede em Porto Alegre.

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Foto: Isabelle Amancio

Próximo dali, outras regiões da África ganham projeção. O Senegal, por exemplo, dispunha de pelo menos três espaços. Em um deles, vários tecidos à mostra captavam a atenção das pessoas. “Você conhece o uniforme de um bombeiro, de um policial. Com as túnicas expostas para todos verem, também vão passar a identificar a nossa cultura”, pondera Serigne Touba, que tem uma associação de artesãos e que participa do evento há, pelo menos, 10 anos. Nem mesmo a situação econômica do Brasil assustou o senegalês. “Teve um aumento no público durante o fim de semana, é natural!”.
De fato, a crise tem alterado a rotina dos organizadores do evento e afetou, principalmente, a captação de patrocínio. “Nossos fornecedores entenderam o momento e reduziram os custos de seus serviços”, afirmou Clarice Linhares, superintendente do Banco da Providência, que organiza a feira. O momento também se reflete nas vendas dos “feirantes”, em que praticamente todos sentiram os efeitos da recessão. O costa-marfinense Oula Sérgio, que também mantém um stand, considera um ano de baixo movimento. “As pessoas até compram, mas não em grandes quantidades. Eu vou fazer o quê se a situação não está boa? Continua sendo o meu trabalho”.
Apesar da fase ruim, o sábado termina com boas expectativas, especialmente por parte do casal Walter e Ursula, ambos do Peru. O espaço deles foi um dos mais lotados dessa edição, onde se vendia tecidos, toucas, joias e, claro, lhamas de pelúcia, símbolo do país da América do Sul. As cores chamavam a atenção do público de tal maneira, que poucas vezes a dupla obteve descanso durante o expediente. Ao ouvir que no domingo – último dia de evento – iria ser melhor, Ursula explana um sincero “Graças a Deus”, após lidar com uma semana fraca. Mesmo com o movimento escasso, os visitantes ficam curiosos e aproveitam a diversidade da cultura.

Lucas Motta, 5° período.

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