Caminhos da reforma

O primeiro domingo da Bienal é marcado por debate sobre a atual situação da política brasileira

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Da esquerda para direita: Murillo de Aragão, Julia Duallibi, Jairo Nicolau e Alessandro Molon. Fotografia: Tayane Fernandes

No quarto dia da Bienal do Livro, a literatura deu espaço à política. O Café literário convidou o deputado Alessandro Molon, autor do livro Sistemas Eleitorais e cientista político Jairo Nicolau e Murillo de Aragão, também cientista político. O bate-papo, que teve como tema principal a reforma política, foi mediado por Julia Duallibi. O público pôde refletir sobre a atual situação da política brasileira, as próximas eleições, a corrupção no país, crise fiscal e crenças enraizadas sobre o assunto.

Quando a discussão é sobre política, é normal o senso comum de que “todo político é corrupto”, já que devido ao histórico do país e, inclusive, à situação atual – com a Lava Jato – a credibilidade é quase inexistente. Por isso, segundo Jairo Nicolau, a reforma de algumas leis poderia ser um meio para mudar essa imagem tão negativa da sociedade perante a democracia. “Devemos fazer uma reforma que vá às expectativas das pessoas. Devemos pensar em como levá-las para o mundo político sem serem contaminadas pela corrupção”.

Uma meta que se torna difícil de alcançar, principalmente quando uma grande parcela dos cidadãos considera política um assunto secundário. A maior reforma que a gente precisa é reforma do eleitor. “Enquanto não tratarmos a política com a sua devida importância, vamos continuar sendo menosprezados pelos políticos”, disse Murilo de Aragão. No entanto, esse não foi o único obstáculo citado durante a conversa. Murilo também citou a crise de representatividade que, segundo ele, prejudica a comunicação do Governo com a população, já que não há conversa entre os candidatos e muitos eleitore – na sua maioria moradores de comunidade – e, consequentemente, uma falta de conhecimento sobre os desejos e necessidades desses eleitores.

É para atender melhor a população no geral que uma reforma política seria a solução mais indicada. Entretanto, segundo Alessandro Molon, as atuais mudanças não estão sendo feitas para esse propósito. “No momento não está se discutido a reforma para a melhoria do cidadão, mas sim uma competição eleitoral. A reforma deve ser feita de maneira modesta, mas realista e consequente”. O deputado também abordou o tema das eleições de 2018, dizendo que é preciso manter um sistema proporcional e diminuir o número de distritos. Outro assunto discutido foi o fim de campanhas partidárias fora de ano eleitoral, com a justificativa de o momento de grave crise fiscal não é razoável gastar muito dinheiro com propaganda.

Tayane Fernandes, 6° período e Carolina Marinho, 4° período

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