Em Nome de Deus

Criador da série de tirinhas “Um Sábado Qualquer” foi à Bienal do Livro conversar sobre humor e religião

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Affonso Solano e Carlos Ruas no Geek & Quadrinhos. Fotografia: Vitor Martins

“Com Deus não se brinca”. É assim que Carlos Ruas resume o que considera sua melhor tirinha, e como costuma responder às críticas que recebe. Criador da série de tirinhas, que originou o livro “Um Sábado Qualquer”, seu objetivo é tratar com doses de humor e sarcasmo as mais diversas religiões existentes. O autor estava presente nesta quinta-feira (31/08), na 18° Bienal Internacional do Livro Rio, onde conversou um pouco sobre a sua obra na palestra “Brincando com Deus e o Diabo”, debate mediado por Affonso Solano, conhecida figura da internet.

Durante o bate-papo, o quadrinista de 32 anos contava sua história de vida desde a época do colégio, quando ainda desenhava nas mesas de escola. “Antes achava um problema, pois só gostava de fazer isso, hoje vejo que é um dom”, reconhece. Com um jeito próprio de se expressar, chamou à atenção de quem passava pelo espaço “Geek & Quadrinhos” da feira, e mostrou por meio de falas irônicas e engraçadas, semelhanças com seus personagens. Segundo ele, o gosto pelo desenho surgiu graças ao pai que também desenha, mas apenas como hobby.

A cartunista e chargista brasileira, Laerte, o inspirou a seguir esse caminho. “Sou bastante inspirado por ela e pelo criador da Mafalda, o Quino. Considero deuses dos quadrinhos”, ele garante. Formado em Design Gráfico, Carlos afirma que durante muito tempo fazia serviços para várias agências. “Fiz trabalho para tanto cliente e um dia me questionei qual era o meu”. A partir desse ponto, começou a enviar para extinta rede social, Orkut, seus desenhos para uma comunidade que publicava quadrinhos. “Só depois de muito tempo que recebi uma resposta”.

O retorno das pessoas curtindo seus desenhos foi grande, que decidiu em 2009 criar o famoso blog “Um Sábado Qualquer”, referente à história da bíblia, quando Deus criou o mundo em seis dias e o sétimo era para descanso. Embora não se considere pertencente a uma religião, ele confessa gostar de estudar sobre esse assunto. “É um universo de sentimentos, emoções e verdades que acho magnífico de ser estudado seja qual for a crença”.

Em contrapartida, o cartunista procura mostrar os dois lados de cada religião, além de não favorecer apenas uma. “Nessas horas tenho que ser juiz de futebol, sempre imparcial”, brinca. A vontade de poder falar sobre um tema polêmico tem ligação com o próprio país por considerá-lo muito religioso. “Tem um pouco de marketing também, que é para chamar atenção e não de ofender. Não se ganha nada ofendendo crenças e esse não é o meu objetivo”, pondera.

Com sua página no Facebook com mais de 2,7 milhões de seguidores e com seus livros à venda, Carlos enxerga a palestra como um evento importante para debates de assuntos tabus. “Dá para criar humor com esses temas sem ser ofensivo. Só de ver um evangélico e um ateu rindo da mesma piada, eu já consegui alcançar isso”. Ele também acredita que o financiamento coletivo, tenha contribuído para a ascensão de novos autores. “Existem muitos quadrinistas brasileiros bons e a internet é o meio mais democrático para se chegar lá”, conclui.

Lucas Motta, 5° período e Isabelle Amancio, 4° período.

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