Especial Mães: Maternidade Lésbica

A falta de visibilidade das mães lésbicas e bissexuais no Brasil

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Beatriz Romero e Bruna Resta no nascimento de Maria Lua.

Não existe um modelo de família “normal”. Crianças criadas por avós, casais sem filhos, mães solteiras ou parceiros homoafetivos, não é possível colocar uma fórmula e esperar que todas as famílias tenham estruturas iguais. Os casais lésbicos são 52,3% das 60 mil famílias homossexuais no Brasil, segundo dados do IBGE. Essas mulheres ainda sofrem com preconceitos, falta de visibilidade e medo de seus filhos serem oprimidos como elas foram.

Esse é o caso das mães de Ana Luiza, de 19 anos, que moraram juntas até os 10 anos da filha. Ana, que também é da comunidade LGBT, conta que as mães a acompanharam em todos os eventos e mesmo após o termino, continuaram compartilhando momentos juntas. “Nunca senti falta de uma presença paterna, elas sempre foram e sempre serão o suficiente para mim”. No entanto, o meio social de Ana não via com a mesma naturalidade essa ausência. Ainda quando era criança, pais de amigos impediam os filhos de visitar a sua casa ao descobrirem a estrutura familiar. “Eu não entendia por ser muito jovem, mas olhando para trás, vejo que as pessoas eram bem preconceituosas”.

A série americana, Friends, dedicou alguns de seus episódios à essa temática. Mesmo sendo dos anos 90, conseguiram visibilidade com Carol, a ex esposa do personagem Ross, um dos principais do show, que ficou grávida no início do relacionamento com Susan. A criança morava com as mães e tinha contato com o pai. Eles mostraram grandes momentos de compaixão e companheirismo durante a trama. Essa situação é similar a de Beatriz Romero, de 22 anos e Bruna Resta, de 23 anos, ficaram um tempo separadas e quando voltaram descobriram a gravidez.

Bruna afirma que teve momentos em que quis largar tudo, mas gostava o suficiente de Beatriz para seguir em frente e ajudá-la no período da gestação. Hoje elas cuidam da Maria Lua, de 2 meses, e está sendo um momento de muito amadurecimento para as duas. “São sensações diferentes todos os dias, mais preocupação, mais parceria. É tudo muito novo!”. Entretanto, fica preocupada em relação ao aceitamento e respeito dos futuros amigos de classe da filha. “Tenho receio que eles não entendam que não é preciso ter um pai para ser feliz”. Por isso, ela ressalta a importância do papel da escola em fornecer educação inclusiva na formação dos alunos.

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As mães, Giovanna Pires e Dienifer Santos, com Naomi.

A falta de visibilidade lésbica e bissexual é uma reclamação comum entre a maioria das mulheres até mesmo no meio LGBT. Isso só piora quando se trata de mulheres homossexuais que são mães, a representatividade é bem baixa, mesmo com o aumento da adesão à causa. Giovanna Pires, de 20 anos, vive com sua esposa, Dienifer Santos, de 22 anos e sua filha Naomi, de 5 anos, apesar de acreditarem que o mundo está mais adaptável, sabem que ainda existe discriminação sexual no cotidiano. “O mundo inteiro deveria conhecer um casal lésbico, é vibrante o jeito de ensino, tudo o que fazemos”, declara Giovanna.

No próximo domingo (14/05) é comemorado o Dia das Mães no Brasil que tem como objetivo homenagear todas as mães. No entanto, essa diversidade na maternidade ainda tem pouca visibilidade no meio social. Anúncios, comerciais, matérias jornalísticas, em sua maioria, apenas reconhecem a estrutura heterossexual de família, ocultando as outras. “Já somos invisíveis por sermos lésbicas, só piora quando nos tornamos mães. É preciso representatividade!”, enfatiza Ana Luiza.

Giovanna Faria, 4º período. 

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