Quadrinhos como formadores de opinião

Como este tipo de literatura pode influenciar na personalidade de seus leitores

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David Lloyd, Luciano Cunha, Beliza Buzollo e a mediadora Ana Cristina Rodrigues

A militância está ocupando, cada vez mais, a mente dos jovens e adultos dentro da sociedade. A ideia de jovens que não se envolvem em questões políticas já está ultrapassada. Cada vez mais o ativismo faz parte do cotidiano de meninos e meninas que descobrem a importância do engajamento social. Ciente disso, um grande evento como Geek & Games Rio Festival não poderia deixar de fora da sua programação uma questão tão debatida – e praticada – atualmente. Além do fato da arte também ser uma forma de protestar, sobretudo nos quadrinhos. Por isso, o segundo dia do evento (22) teve uma palestra com autores de quadrinhos, como David Lloyd, Luciano Cunha e Beliza Buzollo, que demonstram suas indignações e insatisfações em relações aos problemas vivenciados no cotidiano através por meio de sua arte.

Mas em quais aspectos os quadrinhos podem se relacionar com a oposição à militância? Ele é um tipo literário que está presente desde o início do processo de formação de opinião: a infância. Um exemplo é a grande influência que o mundo Disney e seus produtos exercem sobre as crianças. É quase inimaginável pensar em uma menina que nunca quis ser princesa ou acreditou no seu príncipe encantado. Mas e se essa mesma menina tivesse contato com quadrinhos como V de Vingança, de David Lloyd, ou O Doutrinador, de Luciano Cunha, por exemplo? Sua opinião sobre o mundo, ou pelo menos uma parte dele, seria diferente e muito mais crítica.

Ambos autores discorrem sobre temas políticos, baseados em acontecimentos históricos, apresentando críticas e ideais. Não é por acaso que a máscara utilizado pelo personagem V  –  um anarquista que luta contra o regime totalitário implantado na Inglaterra depois da guerra mundial  –, da HQ V de Vingança, é um ícone que representa vários ativismos contra o governos, assim como os Anonymous.  Ou então O Doutrinador, um herói que faz justiça com as próprias mãos contra políticos corruptos, que foi condecorado pelas manifestações de Julho de 2013 no Brasil. “É incrível a representatividade que ela (máscara) recebeu. Nós artistas podemos fazer com que percebam o peso dos acontecimentos”, realçou Lloyd.

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Os quadrinistas debatem sobre suas obras

Ainda existem outros temas que merecem destaque e estão ganhando seu devido espaço, como o movimento LGBT. E é disso que as tirinhas de  Na ponta da língua, da autora Beliza Buzollo, divulgadas nas redes sociais falam, principalmente sobre “mulheres que gostam de mulheres”. Com uma abordagem não-violenta e bem-humorada, mas com muita crítica, Buzollo tem o objetivo de naturalizar o assunto, que ainda é tido como tabu pela sociedade. “Não tem como fugir dos debates relacionados a valores políticos, religiosos e sociais  quando o tema vai contra algo que a sociedade julga como ‘normalidade”.

Mas, talvez, seja disso que a nova geração precise. Algo, dentro do seu interesse, que a incentive a ter um pensamento crítico, a questionar doutrinas e a lutar por seus direitos. Se aquela menina, mencionada hipoteticamente, uma vez já acreditou em contos de fadas, ela pode acreditar no poder da mudança e na igualdade como cidadãos de uma mesma sociedade. “Os quadrinhos têm voz, podem explicar o que acontece no Brasil e saber que podemos transmitir uma mensagem de uma forma tão acessível é muito bom”, acrescenta Buzollo. Se é possível acreditar na Fábrica dos Sonhos, também é possível acreditar em um mundo de igualdade e justiça e até mais que isso: fazê-lo.

Tayane Fernandes – 5º período

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