Mulheres no mundo Geek

Presença de forte influência feminina no GGRF afirma o empoderamento na Cultura Pop

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Cyberatletas da equipe Victory de Counter Strike Global Offensive

O mundo Geek é predominantemente masculino, os games e histórias em quadrinhos foram inicialmente desenvolvidos para esse determinado público. Entretanto, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, mostrando paixão igualmente pela cultura pop. O Geek & Games Rio Festival, primeiro grande festival de games no Rio, que encerra hoje, 23, reúne fortes mulheres – como Cherrygumms, líder da equipe Black Dragon de Rainbow Six; Ingrid Favret, líder da equipe ProGaming de Counter Strike; Roberta Araújo, autora de história em quadrinhos e o fiel público feminino.

O universo da DC Comics teve a incrível proposta há 76 anos da Mulher Maravilha, que era para ser uma personagem com força, coragem e liberdade feminina, porém sofreu rapidamente uma hiperssexualização. Seus shorts se tornaram maiô, pernas mais torneadas e aumento de seios, além de poses estrategicamente sexuais nas capas e tiras do quadrinho. No ano de 2016, quando foi produzido “Batman vs Superman”, contou com a participação da Gal Gadot interpretando a Wonder Woman, sua principal crítica não foi artística, e sim, comentários machistas sobre seu corpo “anoréxico”. Essa é a proposta que Roberta Araújo tenta rebater na hora de criar.

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Quadrinista, Roberta Araújo, no seu stand divulgando suas obras.

“Mulheres no Quadrinho” retrata quatro negras no pós-apocalipse. O cenário principal é a estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, local onde a própria Roberta está todos os dias: “Criei as personagens com inspiração em mim, na minha avó, nas minhas amigas. Quero que as mulheres quando leem, se identifique e se enxergue sendo forte e poderosa”. Segundo a autora, não é apenas visualmente que a mulher é inferiorizada – já que muitas editoras se recusam a ler trabalhos de quadrinhos femininos, por não acreditarem na qualidade das autoras. Todavia o grupo de meninas que trabalha nessa área acabou se unindo e conseguindo ganhar mais espaço e respeito, mesmo tendo que lidar diariamente com o machismo vindo do público e dos profissionais.

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Players da equipe Progaming de Counter Strike, da esquerda para a direita: Ana Carolina, Tainara Torres, Ingrid Favret, Brenda Sant’Anna e Paula Takenawa.

As cyberatletas de Rainbow Six e Counter Strike Global Offensive estão habituadas com esse cenário machista, já que a maior parte dos jogadores e fãs dos jogos são homens. A Ingrid Favret afirma que não costuma jogar em modo casual – jogo online com jogadores desconhecidos – prefere em salas fechadas com amigos: “É muito machismo e eles são muito agressivos. Não entendem que o que uma mulher está errando, os homens também erram todos os dias. Eles simplesmente xingam e eu acabava me estressando muito com isso”

O torneio de CS:GO é dividido por gênero, o que foi criticado por alguns fãs, alegando que assim reforça que mulheres são inferiores. Contudo, Cherrygumms afirma que em torneios mix as players são raramente convidadas para as equipes, por exemplo, no campeonato de Rainbow Six, ela era a única mulher presente. Muitos fãs do Black Dragons paravam para dizer o quanto a admiravam, mas ela ainda passa por momentos desagradáveis com haters. “Isso não poderia me parar, eu sou mulher acima de tudo. As mulheres precisam vir mesmo, meter muita bala e seguirem seu sonho. ”

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Nicole Merhy, mais conhecida como “Cherrygumms”, concedendo uma entrevista no intervalo das partidas.

No sábado, 22, o campeonato feminino de CS:GO teve uma boa repercussão. O público estava cheio e animado, contando com fãs das equipes, Progaming e Victory, como também curiosos pela nova atração do evento. A disputa foi acirrada até o último segundo, indo para prorrogação, a plateia estava em clima tenso. Victory surpreendeu vencendo o favorito do dia e, com muito esforço e rodadas extras, levaram a merecida taça para casa.

As equipes femininas têm 5% dos investimentos das empresas comparado às masculinas. Desde o ano passado, começaram a ter uma visibilidade maior. Os investidores estão entendendo esse empoderamento feminino no meio nerd e fortes personalidades na mídia incentivam mais meninas a virem ao evento. Apesar de ainda existir uma grande carência de inclusão dessa parte do público, o GGRF provou que é um ambiente atrativo para todos os tipos de pessoas. É uma ótima oportunidade para quem quer conhecer mais sobre a cultura de heróis, aliens e games.

Giovanna Faria, 4º período.

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