Nos últimos anos, as canetas emagrecedoras passaram a ocupar um espaço de destaque nas redes sociais e no debate sobre perda de peso. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, ganharam popularidade pela ação de emagrecimento rápido e o aumento da procura levanta um alerta sobre o uso inadequado dessas substâncias.
Segundo dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), cerca de 9 em cada 10 brasileiros fazem uso de medicamentos sem prescrição médica. Com a facilidade de acesso a informações nas redes sociais e influência de experiências compartilhadas na internet, as canetas emagrecedoras passaram a ser vistas por muitos como uma solução rápida para perda de peso, ignorando os outros fatores que compõem esses medicamentos.
Apesar da popularização, especialistas reforçam que o tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde. A nutricionista Karla Mendes destaca que a medicação não substitui uma alimentação equilibrada. “A alimentação continua sendo a base do tratamento, mesmo quando o paciente utiliza canetas emagrecedoras. A medicação auxilia no controle da fome, da saciedade e, consequentemente, na redução da ingestão calórica, mas ela não substitui uma alimentação adequada”, explica.
A nutricionista afirma que o uso das canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico e nutricional pode trazer riscos à saúde. A redução do apetite provocada pelo medicamento pode levar algumas pessoas a uma ingestão insuficiente de nutrientes, favorecendo a perda excessiva de massa muscular e possíveis deficiências nutricionais. Sendo assim, o acompanhamento profissional é fundamental para garantir que o tratamento seja realizado de forma segura e adequada.

Nutricionista Karla Mendes alerta que o uso de canetas emagrecedoras deve estar associado a uma alimentação equilibrada e acompanhamento profissional.
Segundo Karla, o tratamento precisa estar associado a uma rotina de cuidados que envolva boa alimentação, prática de atividade física, hidratação e acompanhamento periódico. O objetivo não deve ser apenas a perda de peso, mas a construção de hábitos que sejam sustentáveis a longo prazo.
Viviane Silva tem 48 anos e começou o uso de caneta emagrecedora apenas após aprovação e direcionamento médico. “Na internet vemos muitas opiniões, é fácil se deixar influenciar, mas tive muito medo de seguir sozinha com algo que iria mexer com tudo dentro de mim”, relata.
Após acompanhamento com especialistas, Viviane descobriu que precisava iniciar o uso de caneta emagrecedora em função do descontrole hormonal e insulina alta. “Não foi apenas por estética, precisei desse tratamento para cuidar de dentro pra fora. Essa é a importância de ter um acompanhamento e entender o que seu corpo precisa”, afirma.

“Só mudou a minha qualidade de vida porque fiz o tratamento ideal para o que o meu corpo precisava”, relata Viviane Silva.
Para Viviane, o acompanhamento profissional foi essencial para que o tratamento fosse realizado de forma segura. Ela passou por diferentes especialistas, incluindo endocrinologista, cardiologista e nutricionista, antes e durante o uso da medicação.
Viviane Silva conta o que motivou o início do tratamento com caneta emagrecedora.
Segundo alerta divulgado pela Anvisa, o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves. O cenário reforça a importância da avaliação profissional e do uso responsável desses medicamentos, com foco na segurança e saúde pública.
Julia Alves – 8° período de Jornalismo



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