Profissionais explicam os benefícios das terapias para crianças no Espectro Autista, com destaque para a Musicoterapia e ABA, promovendo avanços na comunicação social e regulação emocional.

A terapia trabalha questões emocionais, psicológicas e até mesmo comportamentais para ajudar na forma como os pacientes lidam com suas particularidades. Para crianças, as sessões costumam ter uma linguagem diferente que possa melhor atendê-las e para crianças autistas as sessões podem ajudá-las a desenvolver diversas habilidades.

O psicólogo, psicopedagogo e neuropsicólogo, Gilcemar Barbosa, conta que as causas exatas do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda não são conhecidas, mas que acredita-se que envolvam questões ambientais e genéticas. “O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de desenvolvimento que impacta a comunicação, a interação social e o comportamento. Os sinais variam bastante entre as crianças ou adultos diagnosticados, mas geralmente incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, comportamentos repetitivos e interesses limitados”, explica Gilcemar.

A musicoterapeuta Kenia Bianor esclarece que a Musicoterapia é um campo que estuda os efeitos da música e do uso de experiências musicais que surgem dos encontros entre musicoterapeuta e paciente. “Já temos estudos e evidências científicas quanto às respostas no desenvolvimento global e qualidade de vida das crianças dentro do Espectro Autista através da Musicoterapia”, disse Kenia.

Gilcemar diz que os benefícios da música para essas crianças são diversos, como melhora na comunicação, desenvolvimento das habilidades sociais, auxílio na regulação emocional, melhora no desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento da motricidade e estímulo da criatividade.  

A musicoterapeuta disse que não existe uma “receita” para o atendimento clínico na Musicoterapia de crianças autistas. “Dependendo da demanda, o musicoterapeuta avalia e intervém com a música e seus elementos com objetivos clínicos, específicos e individualizados”. Kenia ainda ressalta que a musicoterapia é uma profissão regulamentada e que exige formação em Musicoterapia para a prática da função.

Nara Nacif, psicóloga e mãe de Davi, de 6 anos, disse que o filho foi bastante acolhido na escola e apresentado uma evolução bastante perceptível com aproximadamente 2 meses fazendo musicoterapia, além de outras sessões de terapia como a ABA. A sigla em inglês ABA, equivale a Análise do Comportamento Aplicada, que é um método terapêutico que se concentra em modificar comportamentos. O psicopedagogo Gilcemar Barbosa diz que a terapia ABA pode ajudar a reduzir comportamentos desafiadores e promover comportamentos mais adaptativos.

Davi, que é nível 2 de suporte, faz terapia três vezes na semana e as sessões de Musicoterapia são as que ele mais gosta. Nara disse que o filho se sente bastante relaxado e que tem ajudado bastante no desenvolvimento dele. “Lá descobrimos que ele conhece muitas músicas infantis, é afinado e consegue reproduzir os sons com muita facilidade. Ele ama as sessões de terapia! Notamos que a Musicoterapia veio para complementar as demais terapias que ele faz”, disse Nara.

O psicopedagogo Gilcemar Barbosa ressalta a importância do apoio dos pais durante esse processo, pois pode ser benéfico de muitas maneiras, por exemplo no estabelecimento de um ambiente seguro, na promoção da comunicação e no apoio emocional. “O envolvimento ativo dos pais na busca de diagnósticos e terapias adequadas pode levar a intervenções mais eficazes e oportunas”, disse Gilcemar.

Nara relata que o filho tem conseguido se expressar melhor e tem interagido com outras crianças com mais facilidade. Ela ainda falou sobre o preconceito em volta do espectro autista e diz que a disseminação do conhecimento sobre o que é o autismo e a inclusão são as ferramentas para a mudança. “O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, nenhum indivíduo é igual ao outro, e que aparentemente eles não têm características físicas que os defina. Por ser um espectro amplo, temos indivíduos que você chega a duvidar de estar dentro do espectro (aí vem a famosa frase… “mas nem parece que é autista!”), e tem os que têm comprometimentos severos”, esclareceu a psicóloga.

Luiza Moura – 6° período

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