Agência UVA Barra Assistiu: Para’i

“Para’í” é o longa-metragem de estreia de Vinícius Toro. O projeto começou a carreira no circuito de Festivais de cinema em 2018 com exibições no Festival de Brasília, Mostra de Tiradentes e Festival do Rio. Agora, a produção encarregada de retratar a distância e a busca de uma criança indígena em compreender as origens, chega às salas comerciais de cinema com distribuição da Descoloniza Filmes.

Foto: Divulgação

Pará (Monique Ramos Ara Potty Mattos), é uma jovem criança que assimila a cultura urbana de São Paulo. Ela não assina o nome social indígena na escola e mora a poucos quilômetros da cidade. A menina também não sabe falar a língua guarani e ela tem um pai que frequenta a Igreja Católica. Pará está cada vez mais distante das raízes culturais dos Guarani mbya até que o contato com um milho colorido tradicional, que só é encontrado nas florestas, vai reservar experiências singulares para a garota.

A trama do filme mostra o processo de aculturação vivido por uma criança indígena que acaba por habitar uma região próxima da metrópole, apesar da discussão central estar em torno da distância social que povos originários enfrentam ao morar em regiões próximas ao relevo urbano. A narrativa mostra o percurso universal de autoconhecimento de uma jovem com diversos sentimentos, entre eles as inseguranças, as dúvidas e perguntas naturais que vem segundo a realidade que ela vivencia.

O projeto concilia um enredo universal de amadurecimento com os questionamentos pontuais e característicos que estão muito vinculados à sociedade brasileira, como o direito e a luta para a obtenção da terra, o respeito à integridade e a diversidade étnica indígena. Os temas debatidos encontram tempo de desenvolvimento satisfatório, com situações colocadas de forma gradativa e coesa, fazendo com que o espectador consiga assimilar as questões propostas no roteiro, mas que as características e individualidades da forma de Pará enxergar o mundo em que vive também possam ser percebidas e gerar identificação.

A fotografia estipula tons naturalistas, entre os espaços convividos pela personagem principal e mostra entre cenas do rosto ou parte da silhueta da protagonista com a intenção de atribuir uma relação com o ambiente da aldeia e entre espaços mais urbanos como o transporte público e o entorno da cidade. Já a sonoridade do filme é um recurso que potencializa a imersão de uma experiência calcada no imaginário dos povos originários, sendo um recurso que aproxima o espectador para os conflitos propostos pela produção.

O filme flerta com uma linguagem documental, desde a cena de abertura em uma filmagem amadora de umas das personagens cantando em uma filmagem caseira. Contendo muitas cenas contemplativas e desempenhos realistas do elenco na totalidade que fortalecem essa sensação, mas fica claro pelo percurso dramático com o arco do estudo de personagem composto por Pará se tratar de uma ficção

“Para’í”, enfim, chega aos cinemas com uma história de temática social cada vez mais atual e presente na história do país e é mais uma oportunidade do cinema brasileiro em tratar da luta indígena por uma ótica que está mais fora das histórias habituais sobre o tema. O filme estreia nesta quinta (20/04), um dia depois do Dia dos povos indígenas.  Confira o trailler:

Márcio Weber – 2° período

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