Natal e economia: o consumo movimenta o comércio

A inflação nos alimentos influencia na ceia dos brasileiros

Com a chegada do mês de dezembro, o natal começa a tomar conta das organizações familiares. A procura por alimentos típicos da ceia natalina, roupas e presentes, motivam o poder de compra dos consumidores. Impacto percebido na pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Os dados revelaram que nesta época haverá um investimento de mais de R$66 bilhões na economia brasileira. 

Para Josineide da Silva, o dia 25 de dezembro representa uma oportunidade de reunir os parentes, principalmente por ser o natal do primeiro neto recém-nascido, de três meses. A cozinheira revela que vai passar a festividade na casa da irmã e cada um vai levar um prato de comida. 

Responsável pelo chester, farofa, pudim e manjar, Josineide já está procurando pelo produto mais em conta. “Cada ano o chester está mais caro, é um preço diferente e eu compro, porque é necessário, a gente tem que ter a comida para se alimentar”, diz. 

Não para por aí, o leite condensado para fazer os doces é visto também como um item custoso para ela. Os presentes são outros itens que demandam uma preparação, ao depender do salário “A gente se esforça para dar presentes que eu consiga comprar”, completa. 

Quem também já está nos preparativos é Adriana dos Santos. A jornalista passa o evento na casa dela com a família. Há uma divisão para organizar a ceia, por isso, ela sempre estuda a melhor forma de aproveitar os valores. “Ano passado já estava bem salgado os preços. A gente tenta substituir num ano com dificuldades o chester pelo frango e assim você vai tentando se adequar a sua realidade”, fala. 

Rastrear por promoções faz parte da rotina de Adriana, não somente no Natal, mas em todas as ocasiões. Para o vice-presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (CORECON-SP), Gílson de Lima Garófalo, espera-se um maior saldo positivo de compras em dezembro de 2022, logo após ao domínio da pandemia de Covid-19 nos últimos dois anos. 

O economista afirma que há uma expectativa de aumento das vendas entre 8% e 12% neste segundo semestre. “O comércio deve abrir mais de 109 mil vagas temporárias durante o período natalino sendo que, caso tal projeção se concretize, será a maior oferta de trabalho para essa data nos últimos nove anos. Esse resultado só não alcançará o de 2013, quando 115,5 mil vagas foram criadas”, explica. 

Chester, bacalhau, peru, tender, pernil, panetone e rabanada são alguns dos pratos típicos. Muito além dos alimentos, presentear o ente querido também se tornou uma marca, como forma de agrado e afeto. O vice-presidente Gílson aborda como os produtos importados e exportados ampliam as compras. “Em geral, os segmentos que se destacam são o têxtil, calçados e acessórios femininos, enfeites natalinos e brinquedos”, define. 

É neste momento que o cidadão precisa se atentar quando se prepara para ir às compras. A educação financeira em pesquisar o melhor orçamento para caber no bolso de cada é um diferencial no período vigente, ainda mais com a chegada do 13º salário dos trabalhadores e o destaque para o mês de janeiro com os impostos, tais quais: IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), há acumulação de inflação de aproximadamente 9,54% entre alimentos e bebidas de janeiro a setembro de 2022. Já é considerada a maior alta para os noves primeiros meses em 28 anos, desde o início do Plano Real. 

Outro ponto que pode influenciar é a Black Friday e a Copa do Mundo de 2022 no Catar neste final do ano. June Rothstein é professora de economia da Universidade Veiga de Almeida e pondera como a data é esperada pelo comércio e mexe com o lado sentimental das pessoas. “Tem a Black Friday e os resultados da Copa, o que pode ter um fator de alegria em função do resultado. A gente tem muitos desenhos que podem ser colocados e a tendência é você não fazer dívidas”, destaca.  

“É ter um natal que favoreça o movimento do comércio, mas também o consumidor em termos de compra para não se endividar a ponto de perder seu entusiasmo para 2023”

  • June Rothstein

Saber se planejar financeiramente no final do ano pode ser uma solução para o melhor aproveitamento do dinheiro. Roberto da Silva é especialista em gestão financeira. Ele esclarece as seguintes precauções: uso do 13º salário para quitar cheque especial e cartão de crédito, trocar linhas de cheque especial por linhas de empréstimo ou consignado. 

Essas são as maneiras de terminar o ano para Roberto, que ainda confirma a necessidade de se atentar ao parcelamento sem juros e o não endividamento. Outras se configuram em fazer uma divisão para cada familiar se agrupar com um prato de comida no banquete em conjunto. “Você pode procurar também por marcas mais acessíveis”, recomenda. 

As ações publicitárias no período natalino

Em novembro já percebe-se o surgimento do espírito natalino nas cidades, mas é após o encerramento da Black Friday que o mercado é voltado exclusivamente ao Natal. Para estimular o faturamento, a área de Marketing e Publicidade fica responsável por desenvolver uma relação com o cliente.

Alexandre Bastos é consultor de negócios na Lecadô, empresa conhecida por tortas e salgados. Nesta temporada, há um plano para o lançamento e o reforço da torta natalina e o produto “kit festas”. “A gente espera para esse ano um natal minguado, porque tem uma copa do mundo no meio do caminho, então vai ter um gasto e o país está passando por uma fase de endividamento”, declara. 

A loja depende do público nas ruas e nos shoppings para impulsionar as vendas. Por ser uma marca premium e considerada um serviço rápido, a data comemorativa incentiva a visibilidade. É o que diz Alexandre.

Do ramo alimentício a um ponto comercial que chama a atenção dos consumidores, especialmente cariocas, é o Mercadão de Madureira. Considerado o maior mercado popular do Brasil, a troca de sazonalidades no estabelecimento já é algo comum entre os comerciantes. Já na organização da festividade natalina desde final de outubro, Marcelo Durval, diretor de Marketing do Mercadão, expõe como as expectativas estão altas nesta temporada.

Para impulsionar os negócios, o uso de tecnologia se tornou um meio vigente entre os comerciantes da área. Antes da pandemia de Covid-19, esse cenário não era muito comum. “Houve um aceleramento por essas outras formas de vendas, não só física no balcão. Tradicionalmente, o Mercadão é muito conservador no modelo de negócio, mas vimos como boa parte dos lojistas avançaram nessa área”, expõe.

O que não existia no passado e se faz presente atualmente é proporcionar uma experiência de compra ao cliente. Cenários interativos, eventos e a aparição do papai noel para tirar fotos gratuitas, revertem na qualidade do serviço prestado. “A gente entende que aqui é um espaço democrático”, acrescenta.   

De acordo com Leonardo Amato, professor de Publicidade e Propaganda da Universidade Veiga de Almeida, é comum a Publicidade utilizar novos apelos comoventes na comunicação. “Para que esse espírito do natal seja absorvido dentro das campanhas, além de apresentar os diferenciais dos produtos e os benefícios, há uma mensagem mais voltada para o âmbito emocional das pessoas”, responde. 

Além das propagandas, quando se trata de festividades e interações é visível a recorrência da indústria criativa neste período. “Acaba movimentando toda uma cadeia e gerando empregos temporários, espaços são decorados e há uma promoção de atividades específicas para o Natal que dialogam com a economia criativa”, exemplifica. 

O Natal também é uma época de solidariedade

Com a dificuldade do consumo por conta da inflação, as ações solidárias existem neste momento como forma de amparo. O 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil retrata a situação atual do país. São mais de 33 milhões de brasileiros sem ter o que comer em casa. O dado do Inquérito revela a ascensão da insegurança alimentar. 

Com o objetivo de tornar o Natal mais digno, o projeto “Natal Sem Fome” da Ação da Cidadania surge para mobilizar doações. Norton Tavares é coordenador de Campanhas do Instituto. O porta-voz divide que tudo começou em 1993 após o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor. 

Fornecer uma assistência emergencial no final do ano para famílias vulneráveis é o que conduz o projeto. “O objetivo não é acabar com a fome no Brasil, porque a gente sabe que a distribuição de cesta básica pela sociedade civil não vai solucionar esse problema. O que resolve, de fato, é política pública”, assegura. 

O público alvo do Natal Sem Fome são famílias em algum grau de insegurança alimentar. Norton destaca 3 estágios deste problema alimentício: leve é quando há uma diminuição da qualidade do consumo de alimentos, moderada acontece quando os adultos começam a ter restrição para favorecer os menores e a grave atinge no momento das crianças não terem acesso a comida.  

 “A inflação dos alimentos tem um impacto maior nas famílias mais pobres, porque são elas que gastam uma porcentagem maior na compra. Então, a gente precisa de políticas públicas robustas que garantam o baixo preço dos alimentos da cesta básica”

  • Norton Tavares

Rogéria Nunes e Valéria Silva já foram beneficiadas nos anos anteriores. O projeto auxiliou a casa da família de cada uma delas com alimentos para o Natal. “Foi um gesto de muita alegria e só tenho a agradecer”, revela Valéria. 

Informações coletadas mostram que o Natal Sem Fome em 2021 arrecadou mais de 2.500 toneladas de alimentos arrecadados, acima de 12 milhões de pratos de comida e mais de 1 milhão de cidadãos alcançados. “Foi uma benção e foi uma grande ajuda em momentos difíceis”, exclama Rogéria. 

Outra organização social é o natal da Escola de Samba Portela do Rio de Janeiro. O programa foi originado em 2017 e Hellen Mary Costa, do Departamento de Cidadania da Portela, conta como a responsabilidade social da agremiação motiva a dar continuidade. “Procuramos manter o lado lúdico vivo nas crianças e transbordar o amor entre os familiares, e também para quem fez as doações”, comunica. 

Voltada para o público infantil ao redor da comunidade, a programação acontece um domingo antes dos dias 24 e 25 de dezembro. Há uma apresentação cultural, entrega de brinquedos pelo papai noel e o almoço da ceia natalina. 

A criança que mais fica na expectativa para ver a chegada do papai noel é a Safira Estácio, filha da Elisângela Estácio. A mãe é portelense e nesta edição a pequena vai integrar o corpo de ballet do Departamento de Cidadania da escola. Elisângela compartilha como participar do ato é capaz de formar cidadãos para a vida. “Mostra que nós não estamos sozinhos para enfrentar os problemas, principalmente neste período de pandemia”, conclui. 

Confira a reportagem acerca dos impactos das ações solidárias na vivência das famílias brasileiras. 

O natal é celebrado no dia 25 de dezembro. Para ajudar as instituições com trabalhos transformadores na data comemorativa, basta procurar pela organização mais próxima do seu entorno. A Ação da Cidadania entregará as cestas em todo o país entre os dias 15 e 17 de dezembro. 

Pedro Amorim- 7° período

*matéria produzida para a disciplina de Narrativas Multimídia, sob a supervisão do professor Anderson Barreto

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