Preconceito no futebol masculino

Da infância ao vestiário: Os estigmas por trás da LGBTfobia no futebol brasileiro

A recente polêmica com o uso do número 24 (que no popular jogo do bicho representa o veado) pelos clubes brasileiros ascenderam o debate acerca da LGBTfobia no meio do esporte. O cenário de intolerância não é novidade no futebol nacional, cujo as vítimas, em sua maioria, enfrentam o preconceito até mesmo dentro dos clubes que jogam.

Foi devido a tal tabu que o Fluminense, representado pelo zagueiro Nino, protagonizou uma das mais marcantes campanhas de um clube brasileiro referente à causa LGBTQIAP+. No Dia Internacional do Orgulho, o jogador entrou em campo com a camisa de número 24 e a braçadeira de capitão com as cores da bandeira do arco-íris representativa do grupo.

A ex-assessora de imprensa do clube São Paulo e gestora de futebol, Renata Lutfi, relata o ambiente machista dos vestiários de futebol e a dificuldade de atletas LGBTQIAP+ de se assumirem nesse meio. “No futebol masculino não há aceitação. Os poucos que trabalhei, nunca assumiram. Tinham até namoradas de fachada. Tinham medo de repressão e de refletir no campo, em possíveis não escalações ou até mesmo demissão por escolha dos companheiros”, disse.

Renata Lutfi comenta sobre LGBTfobia.


Segundo Renata, que viveu o dia a dia do clube paulista por 8 anos, no futebol feminino a aceitação é maior, mas ainda assim o ambiente está longe de ser o ideal. Existem diversos termos pejorativos que são usados diariamente, tanto dentro quanto fora do clube, que evidenciam o preconceito existente contra atletas LGBTQIAP+.

“Infelizmente, não importa ainda a qualidade e comprometimento do atleta no futebol. Há preconceito sim, muito forte, latente”

Renata Lutfi

Da sala de redação ao campo, Sheilla Souza, primeira atleta transexual no futebol feminino do país, conta que, na infância, seu pai a forçava a jogar futebol para que “virasse homem”. A lateral afirma ainda que foi aos 16 anos que percebeu que não se sentia mais confortável jogando com o grupo masculino. O caso de Sheilla não é isolado, o preconceito muitas vezes surge em casa, ainda na infância ou camuflado no próprio meio familiar.

Em meio à onda de discriminação, o esporte surge como uma alternativa. É o caso do TNX, time de futsal amador da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) de Quintino, no Rio de Janeiro, composto exclusivamente por atletas lésbicas ou bissexuais. A diversidade no esporte é um fator essencial na vida de Julia Luiza, atleta do TNX.

Julia destaca a importância de fazer o que ama com pessoas que a compreendem e que se identificam. A profissional ressalta que a união das meninas ultrapassa o próprio futebol e se torna mais forte nas batalhas diárias frente às discriminações. “Pela primeira vez fiz parte de algo que pude ser eu mesma, com pessoas iguais a mim, com os mesmos gostos, todas nós nos ajudamos de alguma forma, e nos damos força quando nos acontece algo em relação a nossa sexualidade, quando não somos aceitas”, fala.

Nos últimos anos, clubes como Bahia e Vasco da Gama têm desenvolvido campanhas de conscientização contra a LGBTfobia. Camisas especiais, entrada em campo com faixas e posts em redes sociais são algumas das alternativas encontradas pelos clubes para reduzir o preconceito nas arquibancadas e promover uma maior inclusão no esporte.

Augusto Ferreira – 3º período
João Pedro Magalhães – 3º período

Matéria feita para a disciplina de “Escrita Criativa: Discurso” ministrada pela professora Renata Feital.

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