A mulher negra na moda brasileira

Falta de identificação é legado de um racismo estrutural

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua) 27,8% das mulheres brasileiras são negras. Mas esse número não é retratado na moda e nem na publicidade, ainda que nos últimos 10 anos obteve uma melhoria em comerciais e passarelas.

Vitória Flores, de 22 anos, é formada em moda e atua como Fashion Designer da Colcci Brasil. As primeiras críticas de Flores foram que o mercado da moda tem enraizado a pele branca tanto na imagem quanto na coordenação de trabalhos, de tal maneira que a graduada cita ser a única mulher negra em seu cargo e nunca presenciou outra cidadã afrodescendente junto dela. É algo que eu sinto muita falta. Acho que falta entender a malícia por trás de muitas estratégias de moda”, fala.

Flores citou que a representatividade da mulher negra na moda é muito plástica e comercial. As atuantes no mundo fashion precisam se posicionar mais e criticar a indústria, para que compreendam o valor da estética preta, como o estilo favela, baby hair e a moda lifestyle. A fashion designer relatou que por mais ambíguo que possa ser a questão de visibilidade na imagem da pessoa negra ser usada sem voz, ainda sim esta imagem é um ganho.

Além de todo preconceito sofrido, ainda há a sexualização dos corpos negros. A modelo Angela Sousa diz que já foi uma vítima, ela e outra modelo negra eram fotografadas apenas com roupas decotadas – como shorts e blusas curtas – enquanto as modelos brancas eram vestidas de forma recatada. De acordo com a modelo é preciso entender que apesar de terem alcançado muitas conquistas, a luta ainda não terminou.

Ouça mais da opinião de Angela sobre o tema:

A ocupação desse espaço faz com que Angela Sousa seja inspiração para meninas negras na geração atual. “Fico extremamente feliz em saber, por ouvir, que represento meninas e mulheres pretas. E que é muito bom para elas me verem em capas de revistas e sites de roupa. Sou imensamente feliz em ver outras mulheres ocupando esse espaço, pois me sinto representada no mundo da moda e dos artistas”, destaca.

Taya Nicaccio, graduanda em moda e estagiária da revista Capricho, conta como a prática se baseia no elitismo e racismo social. Para mudar isso, Nicaccio citou quatro movimentos para combater o eurocentrismo estabelecido no país, como: “Pretos na Moda”, “Indígenas na Moda”, “VAMO”, “Vetor Afro-Indígena na Moda” e  “Projeto Sankofa”.

“Cadê os espaços de construção antirracista? E a galera da moda estudando e criando novos caminhos? Uma coisa é certa, ninguém quer mudar algo que te favorece tanto”

Taya Nicaccio

A estudante afirmou que é difícil entrar neste âmbito, pois espaço profissional para mulheres afrodescendentes foi conquistado vagarosamente. “Falar na representatividade da mulher negra na moda faz pensar na ausência de modelos e outros profissionais negros estampados em capas de revista. Tardiamente modelos negros passaram a ser inseridos nestas magazines”, ressalta.

Isabella da Costa – 3º período 
Juliane Barbosa – 3º período

Matéria feita para a disciplina de “Escrita Criativa: Discurso” ministrada pela professora Renata Feital.

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