O desafio de crianças autistas nas escolas

A importância da inclusão social de crianças autistas nas escolas e como é preciso saber lidar com as dificuldades no ambiente escolar

A inclusão social de crianças autistas nas escolas públicas e privadas no Brasil é uma questão desafiadora, posto que a educação atual não é feita para todos. A dificuldade de interação com as outras crianças, a discriminação e o preconceito, ainda existentes, são negativas sociais direcionadas às crianças autistas e que realçam a necessidade de um olhar mais inclusivo. Como a fase escolar é a primeira experiência da criança, depois do ambiente familiar, é de extrema importância o cuidado, carinho, incentivo e parceria dos colegas e professores com esses alunos.

De acordo com a psicóloga Juliana Fernandes, pós graduanda em análise do comportamento, a luta pela inclusão é grande. Para ela, é fundamental uma auxiliar terapêutica na escola para mediar excessos ou déficits comportamentais, auxiliar nas intervenções e na troca entre as crianças, trabalhando habilidades sociais. “Tenho relatos de escolas que não dispõem de um plano de ensino individualizado, que é direito desse aluno, que negam disponibilizar uma mediadora que o acompanhe, muitas vezes alegando que não há necessidade, e, principalmente, esses alunos apresentam grandes dificuldades de se relacionar entre pares”, alerta a psicóloga.

A maneira como a família e a escola lidam com o autismo é um fator essencial no processo de aprendizagem da criança que possui certa dificuldade em compreender o que lhe é ensinado. É preciso capacitar professores, qualificar as escolas e reestruturar o ensino e suas práticas usuais e excludentes. Nesse caso, as escolas precisam se adaptar aos alunos, e não ao contrário. A maioria das escolas considera a inclusão só pelo fato de ter crianças especiais matriculadas.

A busca da assistente de marketing Marcela Guarino por uma escola para seu filho, Mateus, 6 anos, não foi das mais fáceis. “É inegável a dificuldade do Mateus em acompanhar o progresso da turma. Com isso, ele adquiriu resistência para ir à escola e fazer qualquer tarefa, já que percebe essa dificuldade”, afirma Marcela. Por isso, é necessário que tudo seja adaptado às crianças autistas. A forma de avaliação, a forma de ensinar, o tempo para fazer as tarefas e uma mediadora é o básico para uma inclusão de verdade, o que não acontece na realidade.

Segundo a pedagoga e pós graduada em gestão escolar Natalina Assad é necessário buscar, junto com a família, o que a criança gosta, o que sabe fazer, as dificuldades que apresenta, o que a incomoda e o que a deixa feliz. “As crianças são acolhidas com muito amor pela escola e pelos colegas. Sempre procuramos levar nossos alunos a respeitarem uns aos outros. Trabalhamos com as diferenças. Na verdade, ninguém é igual a ninguém. Cada um de nós tem dificuldade em alguma questão. Uns na fala, outros na aprendizagem, outros na forma de se relacionar e por aí vai… Por isso, devemos aprender a respeitar a todos”, aponta a pedagoga.

Natalina conta que geralmente a barreira é quando a própria família não aceita a dificuldade do filho e não procura atendimento médico para criança se desenvolver. Inclusão não é só colocar a criança na escola, ela precisa ter condições de estar em qualquer ambiente. Como todas as outras crianças, o autista precisa ser acompanhado e atendido com suas necessidades. “Precisa ser educado, aprender limites, ser respeitado e aprender a respeitar. Existem vários graus, cada um com suas características próprias. Outros ainda apresentam comorbidades. Por isso é muito importante o acompanhamento familiar, médico e pedagógico”, destaca Natalina.

O mais importante é o desejo de acolher essa criança, a vontade de ajudá-la e promover a interação dela com as demais. Também, juntamente com a família e profissionais, encontrar os melhores métodos de ensino e aprendizagem. Dessa forma, é essencial garantir momentos para que todos discutam sobre a questão e possam pensar de forma conjunta em planos concretos para que a inclusão aconteça.

Vale ressaltar que a entrada de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como menciona o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que atua sobre a Educação Especial. Além da LDB, a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Estatuto da Criança e do Adolescente também asseguram o acesso à escola regular. Incluir é possível e ainda há esperança de um futuro mais igualitário.

Confira o podcast realizado por Anna Clara Laurindo sobre maternidade atípica.

Bruna Costa – 6º período

Anna Clara Laurindo – 7º período

Matéria feita para a disciplina de Edição Multiplataforma em parceria com a Agência UVA Barra.

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