Flexibilização do uso de máscaras em locais abertos segue em vigor no Rio de Janeiro

Tendência é de liberação total quando a população estiver 100% vacinada

A flexibilização na utilização de máscaras de proteção facial em combate ao novo coronavírus no Estado do Rio de Janeiro continua mantida para ambientes abertos desde outubro, quando a medida foi sancionada. Mesmo com cenário de baixo risco de contaminação em todas as regiões, devido à agilidade na distribuição das vacinas, a decisão da Secretaria de Estado de Saúde ainda exige dos municípios respeito aos protocolos de distanciamento social, seja em ambiente aberto ou fechado, e a continuidade da campanha de vacinação. Após mais de um ano e meio do decreto de calamidade pública no país em razão da pandemia, a medida celebra uma vitória na longa batalha contra o vírus.

Em razão disso, seguem liberados pela prefeitura o não uso de máscaras em lugares abertos, e também o funcionamento de boates, casas de show e salões de dança com até 50% da capacidade. Entretanto, em ambientes fechados e transportes públicos, a obrigatoriedade da proteção facial ainda é exigida. A recomendação foi feita pelo comitê de especialistas, que a prefeitura instaurou para auxiliar no combate à Covid-19. Vale ressaltar, que no ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em que Municípios, Estados e União Federal possuem competência para estabelecer medidas de combate à Covid-19.

De acordo com Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o momento de flexibilizar o uso da máscara mesmo em ambientes externos, ainda não é oportuno. “Se formos analisar apenas a situação epidemiológica e vacinal de um único município e não levar em conta a vizinhança, pode ser um agravante tanto para a capital quanto para os vizinhos, porque excluir a obrigatoriedade da máscara, mesmo em ambientes abertos, se torna um facilitador para a transmissão, onde a chance é elevada”, conta.

Por mais que os indicadores apontem um clima positivista, com a queda dos casos mais graves e internações, e com o avanço da vacinação, estima-se que somente com 90% da população vacinada seria viável a flexibilização, valendo ressaltar que alguns países já enfrentaram situações semelhantes antes de antecipar a retirada da obrigatoriedade do uso de máscara e como consequência tiveram considerável aumento do número de casos da doença. O coordenador destaca que o enfrentamento à pandemia é um evento coletivo, e esse andar conjunto é importante porque os municípios não são como ilhas, existe uma interação maior. E ressalva que apostar em não ter uma consequência ruim é considerado um grave risco.

Ouça abaixo:

As palavras do coordenador da Fiocruz fazem coro em parte com as de Vitor Mori, doutor em engenharia biomédica e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, que afirma que espaços abertos são realmente mais seguros, desde que se respeite o distanciamento social. “Não vejo como absurdo a discussão em torno da flexibilização em espaços abertos. Tomaria como contrapartida que se gaste mais energia e exista mais controle sobre as áreas fechadas”, afirma.

O engenheiro afirma que a flexibilização, seja em espaços abertos ou fechados, foi um dos grandes equívocos na condução da pandemia nos Estados Unidos, quando se abriu mão de tudo precocemente, colaborando para a chegada da forte onda oriunda da variante delta, e  segundo ele, existe risco iminente de contágio em um festival ou uma festa na praia, por exemplo, porque as pessoas teriam um contato  muito próximo, em ambiente de música, gritos e paquera. Ele relata que o ponto central desses eventos é a mescla de muitos espaços abertos e fechados e traz seu posicionamento a respeito do tema.

Ouça abaixo:

Já de volta ao convívio social, o  advogado Eldro Rodrigues do Amaral, de 75 anos, alega que apesar de ter se vacinado com as três doses continua receoso quando se trata da Covid-19, e diz que prefere continuar utilizando máscara de proteção e seguindo os devidos cuidados e protocolos sanitários. “Eu sou idoso e ainda trabalho. Não contraí o vírus durante todo período conturbado da doença e não será agora, que as coisas começaram a normalizar que vou dar sopa pro azar. O Judiciário até hoje está operando em home-office, por exemplo”, diz.

Por outro lado, sua filha, Isabella Rodrigues, de 35 anos, admite que relaxou após a aplicação da vacina. “Confesso que estou bem mais aliviada e tranquila, tenho saído normalmente, inclusive para locais de ambientes fechados e só faço uso de máscara facial na entrada dos eventos por uma questão protocolar. A vida parece estar retomando seu curso natural, graças a Deus”, declara.

Vale dizer, que na última segunda-feira (15), o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no tratamento para a Covid-19 no Estado, deu alta ao último paciente internado com o vírus. Ao longo de toda a pandemia, o Hospital fez mais de nove mil internações, e graças ao êxito da campanha de vacinação, a unidade conseguiu realizar esse feito. Atualmente, com 75% da população carioca já completamente imunizada, resta saber quais serão as consequências advindas desta medida, que os especialistas classificaram como temerária antes da vigência.

Bruno Sadock – 6º período

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