Escolas na pandemia: como crianças, responsáveis e profissionais da educação vêm se readaptando às aulas presenciais

Para especialista, acolhimento no retorno às salas de aula é essencial

Segundo um levantamento realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Brasil está na lista de países que mais prolongaram o fechamento das escolas: cerca de 40 semanas. Mas esse cenário vem mudando desde a primeira metade de 2021, escolas da rede privada de ensino do estado do Rio foram autorizadas a realizar o retorno da educação em presença após mais de 1 ano em regime remoto de ensino.

Para isso, essas instituições precisaram se adequar aos novos protocolos sanitários contra a covid-19, seguindo normas estabelecidas por seus estados e municípios. Na maioria das escolas particulares do Rio, a retomada se deu de forma gradual. Responsáveis e alunos puderam escolher entre participar das aulas on-line ou presencialmente. Aos que optaram por voltar às salas de aula, a readaptação tem sido gradativa.

Cristina Corrêa é fundadora e diretora da Escola Criar e, segundo ela, um dos principais desafios da volta às aulas presenciais, ainda em meio a uma pandemia, foi equilibrar a educação de qualidade com as normas sanitárias para evitar a propagação do coronavírus entre os alunos e colaboradores. “Tudo foi e vem sendo muito desafiador para escolas e famílias”, afirma Cristina.

Neste novo cenário, os familiares responsáveis pelas crianças têm diferentes preocupações e expectativas sobre o retorno. “Existem as famílias que não consideram o retorno presencial um problema, tem os pais que levam se encorajando, baseados no protocolo de segurança e na falta que os filhos demonstram do ambiente escolar, e ainda temos os que estão seguindo nas aulas remotas, aguardando por mais segurança”, conta Cristina.

“O uso da tecnologia tem muito a contribuir no desenvolvimento da educação e a pandemia serviu para acelerar o entendimento e a atenção dos educadores para essa realidade!” – Cristina Corrêa.

A empreendedora Carol Fusco faz parte de um grupo de pais que esperavam ansiosamente pelo retorno das aulas presenciais. Carol é mãe da Mel Fusco e relata que a adaptação foi feita de forma a aumentar gradativamente o horário de permanência na escola. “Primeiro ela ia uma horinha, depois passou para três horinhas com a professora, depois dividiram a turminha em grupos de alunos, até abrir para todos, com as regras”, conta.

Além disso, Carol afirma que o mais difícil nesse período tem sido as pausas e retornos que vem acontecendo. De acordo com os protocolos da escola onde a Mel estuda, se dois alunos em toda a escola testarem positivo para covid-19, é necessário que as crianças permaneçam em casa por alguns dias. “Eles (os alunos) ficam durante 15 dias em casa de novo e para se readaptar, é mais uma dificuldade (…) volta e meia tem que ter essa parada por mais que não seja na sala dela (da Mel)”. 

Para muitas crianças, o ensino remoto não foi uma experiência positiva. Manuela Garcia, de 9 anos,  afirma que prefere o ensino presencial ao remoto. A aluna do 4º ano do Ensino Fundamental defende que há vivências como o horário do lanche com os amigos e as brincadeiras durante o intervalo, que só podem ser concretizadas no ambiente escolar. 

Assista o vídeo em que Manu Garcia elenca os pontos positivos e negativos dos dois modelos de ensino:


Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) aponta que, durante a pandemia, uma em cada quatro crianças e adolescentes apresentou ansiedade e depressão, com níveis clínicos, ou seja, com necessidade de intervenção de um especialista. Mas a professora Gabriela Kleinsorgen conta como presenciou esse cenário mudar: “Só de voltar à escola, uma semana depois já estavam contando suas novidades, cantando músicas e criando novas brincadeiras para não trocarem brinquedos”, disse a coordenadora da Educação Infantil da Escola Criar. 

A docente relata que os sentimentos que experimentou ao pisar novamente na escola foram de medo e ansiedade. “Sou professora, coordenadora há mais de 20 anos e nunca foi tão desafiador estar nesse lugar”, conta Gabriela. E ainda garantiu que se sente segura em estar de volta devido às melhoras no quadro epidemiológico do Estado. “Na escola que trabalho, a maioria já tomou a segunda dose, inclusive eu”.

“As crianças são mais felizes nas escolas. Nenhum outro lugar a substitui” – Gabriela Kleinsorgen.

Entretanto, a atenção dos profissionais da educação para com as crianças não deve estar apenas ligada à vacina e a protocolos sanitários como uso de máscara,  higienização das mãos e objetos com álcool em gel e distanciamento social. A pedagoga e psicopedagoga, Débora Henrique, defende que os cuidados devem ir além das normas de saúde: “Acolher é essencial para que a criança se sinta bem, o carinho em demonstrar que aquele ambiente é da criança e para ela, trabalhar as regras como algo bom e não como imposição, estar perto e atento aos sinais simples de cada criança, sem julgar ou opinar em sua fala”, declara Débora.

Para além do aprendizado dos livros de matemática, português e história, frequentar  a escola tornou-se um exercício diário sobre empatia e cuidado com o próximo. Cuidar para que o ambiente escolar permaneça habitado pode ser a garantia da vacina contra a ignorância e o egoísmo.

Duda Bortoloto – 4º período

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