Transtornos psicossociais afetam mais as meninas do que os meninos

Projetos pedagógicos colaboram para dar voz aos alunos que estão pedindo por ajuda

A adolescência é um período crucial para o desenvolvimento e manutenção de hábitos sociais e emocionais importantes para o bem-estar mental. Quanto mais expostos aos fatores escolares ou pessoais, maior o impacto na saúde mental de adolescentes. Atualmente a exclusão social, discriminação, dificuldades no aprendizados, são exemplos que podem influenciar a vida social e deixa vulnerável quem está nessa faixa etária.

Uma pesquisa realizada pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que os transtornos relacionados à saúde mental atingem majoritariamente meninas entre 13 e 17 anos. Os dados revelam que 29,6% das meninas acham que a vida não vale a pena, enquanto os meninos representam somente 13%. Em relação ao bullying, 57,8% das meninas afirmaram que já sofreram, enquanto os meninos somaram 20%.

A estudante de 16 anos, Priscila Mendonça, está no segundo ano do ensino médio e conta que foi perseguida durante a infância, por conta do sorriso e do peso. “Não conseguia ficar sentada sem estar com a mão no rosto com medo de zombarem do meu perfil. Por conta disso gerou muitos questionamentos sobre mim e sobre a minha personalidade, causando uma confusão mental muito grande”, expõe.

Muitos adolescentes enfrentam conflitos internos que desencadeiam uma redução da expectativa quanto ao futuro. Diversos fatores podem estar relacionados também a isso, como por exemplo, a insatisfação com a aparência física, problemas familiares e baixo desempenho escolar. Quando tais indicativos não são tratados da forma como deveria, através de ajuda psicológica, a automutilação, uso de substâncias lícitas e ilícitas e até mesmo o suicídio passam a ser considerados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática de suicídio entre os jovens de 15 a 29 anos no Brasil correspondem à quarta maior causa de morte. Campanhas de valorização da vida e ações como a criação do “Setembro Amarelo” ajudam na conscientização e dá espaço para discussões acerca da problemática.  

A psicopedagoga Neiva Koppe acredita que conteúdos pedagógicos que incentivam o apreço pela vida são importantes. Ela explica que quando o projeto é bem elaborado e adaptado à realidade do aluno, a probabilidade dele se abrir é maior. “Que seja uma ação social sem julgamento, que não venha com nada pressionado para deixar o aluno totalmente confortável para que ele possa se abrir tranquilamente, que tenha muita empatia, algo que estimule mesmo esse diálogo, evitando discriminação relacionados a saúde mental”, explica. 

Rebecca conta que se cobrava muito porque via todo mundo fazer algo produtivo e se martelava que precisava ser igual aos outros. (Foto: Arquivo Pessoal)

Dentre os transtornos que assolam o público feminino, a baixa autoestima é recorrente. A estudante de 17 anos, Rebecca Queiroz, está no seu último ano na escola e declara que com as aulas online a sua autoestima melhorou pois não havia mais a necessidade de encarar corpos completamente diferentes do dela. “Na minha sala, a maioria das garotas são baixas, loiras e magras, enquanto eu sou totalmente o oposto disso. Por mais que eu ache que existem algumas coisas minhas que estão dentro do padrão, não acho que esteja no padrão da minha escola”, revela. 

A aluna também relata que quando precisou voltar para escola, o medo do bullying e da não aceitação por parte dos colegas retomaram. “Nas férias eu cortei meu cabelo curto e estava amando, quando precisei voltar para as aulas, comecei a me sentir muito mal com ele, porque todas as meninas tinham cabelos longos. Tudo isso foi devido a situações que eu criava na minha cabeça, é como eu me sinto, sem ninguém precisar falar nada em relação a isso”, manifesta Rebecca.

De acordo com a psicopedagoga, as escolas deveriam falar sobre inteligência emocional desde a educação infantil, com a finalidade de desenvolver mecanismos para lidar com os sentimentos desde cedo. “Existem adultos que hoje em dia estão quebrados por conta de algo que aconteceu na instituição escolar, que não é esquecido nunca, vira um trauma. Eu acho que saúde mental nas escolas deveria ser prioridade”, alega Neiva.

Neiva Koppe também acredita que as escolas geram um aumento emocional extenso no momento em que os adolescentes, especialmente as meninas, exigem de si mesmas uma cobrança a fim de apresentarem resultados para serem aprovadas, não apenas em conteúdos, mas também em quem elas realmente são.

Neiva Koppe, psicopedagoga, fala o motivo da negatividade da saúde mental feminina atingir mais que a saúde masculina.

Ainda que os índices de transtornos mentais abranjam mais as mulheres, elas possuem mais facilidade em colocar suas dificuldades e problemas para fora do que os homens. Por isso, ao abrir um espaço para diálogo com empatia, os adolescentes conseguem mostrar o que realmente sentem. 

Ana Júlia Queiroz – 6º período

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