Importância de iniciativas de acolhimento a população LGBTQIA+

Projetos sociais prestam suporte de moradia, saúde e educação para esta parcela da população 

Registro de uma ação em parceria com a @adidasrunners na Casa Acolhida Florescer (Reprodução do Instagram)

Lar: local onde há harmonia, onde as pessoas vivem e se sentem bem. Essa definição não é igualitária para muitos LGBTQIA+. Esses espaços, por vezes, refletem crueldade por conta do preconceito, discriminação, estigma e abandono. Diante das fragilidades e do desamparo dentro do ambiente familiar, viver na rua torna-se a única opção.

Mesmo diante de um cenário desanimador, no qual ocorre uma morte por homofobia a cada 23 horas, segundo estatísticas levantadas pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), há projetos sociais que visam proteger, acolher e ajudar pessoas expulsas do próprio lar. A Casa Miga, atua há três anos, na cidade de Manaus, transformando vidas através do acolhimento.

Criada em 2018, o lugar é uma das referências em suporte, atendimentos psicológico, social e profissional realizados gratuitamente à gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, além de imigrantes ou refugiados membros da comunidade.

Lucas Brito acredita que iniciativas como essas ajudam a reinserir essas pessoas na sociedade de forma digna (Crédito: Arquivo Pessoal)

O Coordenador Geral da Casa Miga, Lucas Brito, conta que além do espaço de acolhimento, a casa possui projetos de capacitação profissional, rodas de conversa, workshops e cursos livres. “Em 2020 eu criei o projeto Prepara Miga, voltado para o vestibular, além das aulas de espanhol e inglês. Já conseguimos formar uma turma de inglês e estamos na segunda, composta por 80% de transexuais e travestis”.

Registro da Roda de Conversa da Casa Miga sobre a Lei Maria da Penha nas Relações Homoafetivas e Transexuais. (Reprodução do Instagram)

De fato, garantir moradia, alimentação e capacitação profissional a tantas pessoas, é desafiador. Sem qualquer suporte do poder público, a Casa Miga se mantém através de doações de parceiros, campanhas de arrecadamento online (regional, nacional e internacional) e de empresas privadas.

Lucas Brito fala sobre a importância de iniciativas para a comunidade LGBTQIA+ 

Outro exemplo de projeto social que deu certo, é o Centro Acolhida Florescer, uma Organização Não Governamental (ONG) que atende travestis e mulheres transexuais em situação de vulnerabilidade. Criada pela deputada eleita pelo PSOL, Sâmia Bomfim em 2015, atualmente acolhe 30 pessoas com idades que variam de 18 a 64 anos.

Alberto acredita que a Casa surgiu em função dos espaços sociais terem sido pensados na narrativa do que é ser homem ou mulher. (Crédito: Arquivo Pessoal)

Para além da acolhida, o espaço oferece também atendimento psicológico, acesso a saúde básica, educação e possibilidades de reinserção no mercado de trabalho. O  Gestor da Casa Florescer, Alberto Silva, explica que ações como essas, ajudam no desenvolvimento de outras aptidões. “O mais importante é a articulação junto com as empresas parceiras. Acaba trazendo mais ferramentas para que essa população consiga ter mais fruto em sua vida.” 

O Gestor conta que o funcionamento do espaço se baseia em pilares como educação, saúde e trabalho. Outras áreas como lazer, esporte e cultura vem consequentemente em decorrência de parcerias. “Nosso trabalho é pautado justamente na harmonização enquanto pessoas humanas, porque quando se acredita é impossível não florescer”, revela.

A Casa se mantém pela parceria da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo e a Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana. O que explicita a necessidade de um olhar governamental para as mazelas enfrentadas pela comunidade LGBTQIA+.

Alberto expõe as parcerias que ajudam no projeto e fazem a transformação. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da cidade de São Paulo, em 2015, estima-se que uma porcentagem entre 5,3% e 8,9% de pessoas em situação de rua pertençam à população LGBT. A falta de dados sobre pessoas em situação de vulnerabilidade social impede a formulação de políticas públicas efetivas. Desta forma, iniciativas como estas transformam homens e mulheres, cis ou trans, da população LGBTQIA+ expulsos de casa por serem quem são.

Ana Júlia Queiroz – 5º período

Gabrielle Lopes – 7º período

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