Projeto ajuda pessoas com dificuldade financeira através da força da internet

Apesar do auxílio emergencial, a medida paliativa ainda expõe a desigualdade no Brasil

No decorrer de 2021, as parcelas do auxílio emergencial foram limitadas para o valor de R$150 a R$375,00 e a decisão do Governo Federal afetou a realidade de milhares de brasileiros. Porém, a internet possibilitou uma maneira de mudar a vivência dessas pessoas que perderam a fonte de renda ou se encontraram com o dinheiro reduzido. Alexandre Caruso é o idealizador do “Garrafa no Mar” e o projeto está devolvendo esperança na casa dos brasileiros. 

“Estava lendo uma matéria na revista sobre garrafas que até hoje são lançadas no mar com mensagens aleatórias e as pessoas rastreiam até onde chegam. E pensei: e se as pessoas lançassem suas contas em uma garrafa e de repente aparecessem pagas”

Alexandre Caruso

Alexandre desenvolveu uma estrutura online para ajudar quem precisa pagar contas de consumo atrasadas, por meio da generosidade de quem pode retribuir. Segundo Caruso, mais de 700 pessoas foram beneficiadas e mais de R$145 mil contas já foram pagas. “O primeiro objetivo é estancar esse sofrimento de pessoas que estão tendo entre escolher comprar comida ou pagar contas”, disse Alexandre.

Alexandre, 45 anos, fala sobre a ideia do “Garrafa no Mar” no vídeo abaixo:

A iniciativa com um ano de experiência e sem fins lucrativos começou com uma planilha em link público e atualmente já conta com aplicativo e site. Não somente pessoas do Brasil já ajudaram a pagar contas, como também brasileiros no Japão doando para Recife ou Estados Unidos doando para o Pará. “Conectar essa rede de empatia de pessoas que ainda acreditam no ser humano é muito revigorante para enfrentar mais desafios”, contou Alexandre.

A ação ganhou visibilidade na mídia e pôde transformar diferentes histórias, como por exemplo o caso de Renata Souza, de 43 anos, que conheceu o projeto “Garrafa no Mar” através do seu irmão Vitor Del Rey. A artesã estava com dificuldades em pagar as suas contas. “Cada vez que chegava um e-mail dizendo que minha conta estava paga, meu coração palpitava de alegria pois ainda existem pessoas do bem para ajudar aqueles que precisam sem querer nada em troca”, afirmou Renata.

Renata Souza fala sobre a importância do projeto:

Ao ver as contas chegarem e não ter dinheiro para pagá-las, Renata encontrou o projeto e realizou um cadastro. Com as parcelas do auxílio emergencial reduzidas em 2021, a dificuldade percebida pela Renata e ao redor foi “menos comida à mesa para a população”.  Por exemplo, o custo médio de uma cesta básica no Rio de Janeiro foi de R$622,76 em maio, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). 

“Só de saber que a minha conta estava paga já dava para respirar mais um pouco, pois tem a comida para colocar dentro de casa, uma roupa, um chinelo e eu sou mãe solo, o que fica um pouco complicado. Mas com a ajuda de Deus e dos anjos do projeto, tudo está indo bem graças a Deus”

Renata Souza

Com a iniciativa na internet, no total Renata já conseguiu o pagamento de 14 contas de consumo e a assistência está transformando realidades no Brasil. O projeto vai manter o formato prévio por um tempo e Alexandre, Head de Comunidade da aceleradora “Fábrica de Startups”, já tem planos de ampliá-lo com novas regras. Para mais informações, basta acessar o site do projeto: http://www.projetogarrafanomar.com.br/

Auxílio Emergencial e a economia brasileira

De acordo com a professora de economia, as consequências do baixo valor do auxílio emergencial destacam que as situações emergenciais não resolvem o problema macro da economia brasileira. Foto: Arquivo Pessoal

A Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia do novo coronavírus em março de 2020. No Brasil, uma das formas de apoio determinadas a uma parte da população foi o auxílio emergencial. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 67 milhões de brasileiros receberam o pagamento no ano passado, o que representa 1/3 da população no país.  

A questão do preço das parcelas do auxílio emergencial revela um processo econômico e histórico do país além do contexto vigente da pandemia. Para June Rothstein, professora de economia da Universidade Veiga de Almeida, é preciso voltar para 2020, no início da crise viral e sanitária. “Com certeza, os valores atuais do auxílio emergencial não são suficientes, mas estão direcionados a eliminar a fome, vinculado ao custo médio da cesta básica”, explicou June.

De acordo com a professora, os motivos para a taxa minimizada do auxílio estão relacionados com a capacidade de investimento do Estado, no aspecto dívida/PIB. A pandemia acentua a desigualdade social na sociedade e expõe as dificuldades em meio à crise. “O vírus invisível trouxe visibilidade ao problema social da nossa economia. Na prática revelou a falta de acesso em uma análise expandida: infraestrutura, saneamento, saúde e educação.”, concluiu a professora de economia.

Pedro Amorim – 4° período

Pedro Araújo – 3° período

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