A técnica “mão conforto” surge como suporte aos pacientes de Covid-19 e ressalta protagonismo feminino no dia da enfermagem

O projeto da enfermeira Lidiane Melo viralizou no Brasil e fora do país, inclusive com comentário do diretor-geral da OMS

A “mão conforto” produziu mudanças através do aconchego de um instrumento simples, mas humanitário. (Foto: Arquivo Pessoal)

12 de maio é o dia da enfermagem. A data é uma homenagem ao dia de nascimento de Florence Nightingale (1820-1910), a “mãe” da enfermagem moderna. Ela é responsável pela criação do discurso de juramento do curso nas formaturas ou colações de grau do mundo todo. Florence transformou o ato de cuidar.

A atenção ao paciente faz parte da rotina da profissão, entretanto alguns cuidados podem trazer esperança. A enfermeira Lidiane Melo, com a iniciativa “mão conforto”, é um exemplo de resistência e representatividade feminina em tempos de pandemia. 

Tudo mudou num plantão intenso de um hospital (Centro de Emergência Regional – CER) na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, no início da pandemia em 2020. Lidiane pegou um par de luvas e amarrou a ponta, logo após, colocou água morna e encaixou as luvas na mão de uma paciente, internada com Covid-19, para solucionar o problema do nível de saturação, um sinal vital significativo aos enfermos com coronavírus. 

 “Tentei aquecer envolvendo um algodão ortopédico com uma atadura de crepom e não tive êxito. O que tinha em mãos no momento foi um par de luvas, peguei o par dessas luvas e pedi a Deus, como faço em todos os plantões, sabedoria e força para passar por aquele momento tão difícil. Cheguei até a paciente, encaixei essas luvas e entre 3 a 4 minutos consegui identificar no monitor a saturação”

Lidiane Melo

Lidiane Melo comenta sobre a reação da paciente após o uso da técnica e o sucesso do projeto. Confira no vídeo abaixo:

Assim que a enfermeira obteve resultados positivos com a técnica da “mãozinha”, ela sentiu um mix de sentimentos, tais como: alegria, gratidão e superação. “Os comentários dos pacientes foram os mais valiosos e sinceros possíveis: parecia que tinha alguém segurando a mão deles, trazia conforto e apoio psicológico”, disse Lidiane Melo.

Além de estabelecer um conforto psicológico, acalmar os pacientes, análise da saturação, a “mão conforto” ajuda na melhora da circulação sanguínea. A ação solidária moveu estruturas, levou assistência e apreço para pessoas que precisam ficar isoladas e não podem receber visita de familiares. O ato é sobre confiança, humanização e fé para o que está por vir.

O amor por essa profissão veio de família, a avó de Lidiane era parteira e contava histórias para a neta que se encontrou no cuidado e tratamento aos pacientes. Embora a crise sanitária coloque preocupação e falta de esperanças na sociedade, os profissionais enfrentam o coronavírus de forma objetiva e excepcional. “Na pandemia, o medo assolou grande parte dos profissionais, mas nós encaramos e fomos à luta, dar o nosso melhor”, afirmou Lidiane.

Depois de um ano do acontecimento, ao realizar uma postagem no Facebook, no dia 14 de março de 2021, a publicação sobre a técnica “mão conforto” se espalhou rapidamente na mídia e para Lidiane foi algo inesperado. Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), notou a notícia na rede social Twitter e respondeu: “Nenhuma palavra consegue expressar minha admiração pelos profissionais da saúde na linha de frente desta pandemia e suas incríveis formas para possibilitar conforto aos seus pacientes”.

 

Segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), a área da enfermagem é composta por 85% de mulheres. O dado destaca quem está na linha de frente no combate ao novo coronavírus e o sujeito da frase é o gênero feminino. Para Carolina Machado, coordenadora do curso de enfermagem da Universidade Veiga de Almeida do campus Barra, as mulheres estão revolucionando a área da saúde atuando com maestria na profissão escolhida. 

A data internacional da enfermagem é  historicamente significativa para ecoar a luta por direitos dignos, respeito e admiração aos profissionais da enfermagem. Num cenário conturbado e marcado pelo descaso do Governo Federal no combate à pandemia, trabalhadores da área da saúde se unem para se dedicar aos indivíduos. “12 de maio é importante para lembrar que os enfermeiros constituem a maior força de trabalho na área da saúde, somos muitos e extremamente importantes para a manutenção da vida de toda população”, concluiu Carolina Machado. 

Lidiane Melo e Carolina Machado prezam pelo Projeto de Lei n°2564 de 2020 (PL 2564/2020) em tramitação. Com o objetivo de estabelecer o piso salarial do Enfermeiro, a força da população pode mudar e viabilizar condições justas para uma profissão que transforma vidas diariamente. 

Pedro Amorim – 4° período

Pedro Araújo – 3° período

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