Empresária devolve a autoestima e transforma vida de mulheres mastectomizadas

Experiência com a costura ajudou na criação de prótese mamária para mulheres que retiraram as mamas

Uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) mostra que 70% dos casos de câncer de mama diagnosticados no Brasil resultam em mastectomia. Esse procedimento cirúrgico é responsável por remover uma ou ambas as mamas e, na maioria das vezes, é indicado para o tratamento desse carcinoma. Entre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres que passam por essa cirurgia estão mudanças emocionais, como baixa autoestima, depressão e o medo de não serem mais desejadas sexualmente por não terem o que consideram um símbolo da feminilidade: o seio. Com o objetivo de acolher essas narrativas, a empresária Luciana Caldas doa próteses mamárias costuradas com as próprias mãos.

Esse laço de empatia existe há quase 30 anos, quando uma cliente recém operada chegou à loja de lingeries da mineira procurando por uma prótese feita de milho-alvo, um cereal produzido por todo o mundo para alimentação humana e animal. Luciana se sensibilizou com o pedido e costurou a prótese para ajudá-la, sem cobrar nada por isso. 


À medida que a iniciativa foi sendo reconhecida, o número de pedidos que chegava à loja foi aumentando e ela passou a ter um estoque de próteses para atender às mulheres: “Eu fui vendo que passei a ter uma necessidade de fazer e deixar pronto porque as pessoas iam de manhã para a consulta, tinham horário para voltar e tinham pressa”, disse a comerciante.

“Eu fico feliz por ajudar. Em momento algum eu fico feliz pelo número de próteses que eu tenho que fazer, isso me deixa triste. Mas ao mesmo tempo eu penso: ainda bem que mais uma mulher sabe que eu posso ajudar” 

-Luciana Caldas

Maria Thereza Bandeira trabalhava com contabilidade e morava em Bicas, município de Minas Gerais, quando descobriu que precisaria fazer a cirurgia para o tratamento de câncer de mama, em 2002. Ela optou por não reconstruir a mama e ao conhecer as próteses costuradas por Luciana, recebeu a ajuda: “Nas minhas vindas em Juiz de Fora, ia na loja de Luciana. Ela lindamente e gentil, me deu força com suas doces palavras”, afirma Thereza. 

“Estou com 70 anos, saudável, amando a vida”

Thereza Bandeira.
“Descobri o nódulo no sábado. Na segunda-feira, na consulta, meu médico disse que eu teria que fazer a cirurgia”, conta Thereza. (Arquivo Pessoal)

Durante a pandemia, Luciana acreditava que a falta de procura nas próteses se dava por conta da diminuição dos casos, mas dados do Inca mostram o contrário. Em 2019, estimava-se 59.600 novos casos de câncer de mama, enquanto no ano de 2020, em que a pandemia teve início, 66.280 novos casos foram apontados pelo instituto.

Ouça o áudio em que Luciana fala da preocupação da baixa procura pelas próteses no período de pandemia:

A Sociedade Brasileira de Mastologia afirma que 70 em cada 100 mulheres são mastectomizadas para tratar o carcinoma, atitudes transformadoras como a de Luciana e histórias como a de Maria Thereza mostram que a empatia é transformadora e uma das formas de expressar respeito pela dignidade humana. As histórias que cruzaram o caminho da comerciante ressaltam a importância da solidariedade em momentos de fragilidade.

Maria Eduarda Bortoloto e Artur Lopes Lavinas – 3º período

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