Transformando o pouco em muito

A solidariedade em tempos de crise mostra como brasileiros mesmo sem ter recursos sobrando continuam a ajudar o próximo

“Cada um de nós deve saber se impor e até lutar em prol do bem-estar geral. Afastar da mente todo mal pensar, saber se respeitar, se unir pra se encontrar”. Assim começa a canção “Mutirão de amor”, do sambista Jorge Aragão. Nos versos, ele defende a união popular a fim de derrubar barreiras e vencer os males. O cantor nascido em Padre Miguel não imaginava que bem perto, em Realengo, iniciativas de solidariedade se espalhariam tal qual os sambas de roda. 

Fernanda Espinha é um exemplo de como a solidariedade pode vir de quem não tem muito. Ela é Nail Designer e com a pandemia viu a clientela diminuir. Apesar disso, Fernanda foi em busca de lugares nos quais ela poderia fazer a diferença. Segundo ela, a burocracia era muita em algumas instituições. Então ela decidiu começar do zero

“Pra mim as coisas começaram a apertar muito porque eu sou autônoma e meu marido também. E daí eu fiquei pensando que podia ter gente em situação muito pior. Então eu resolvi distribuir comidas na rua e o que sobra eu monto cesta básica e distribuo”

Fernanda Espinha

Uma das pessoas que receberam esse auxílio foi Gerson Silva do Nascimento, de 40. Ele vendia bolos de pote, mas teve que parar a produção por conta da falta de materiais. Gerson está em busca de emprego para garantir o básico para a família. 

“Tem muitas pessoas passando dificuldades, eu sou só mais um. Tem milhares de brasileiros passando fome que, se todos fizessem igual Fernanda, ajudaria muita gente”

Gerson Silva do Nascimento. 

O Brasil vive um momento crítico na história. Segundo dados do IBGE, são mais de 14 milhões de brasileiros desempregados atualmente. O número vem crescendo desde o início da pandemia e bateu o recorde histórico. Os desalentados, aqueles que estão aptos para trabalhar mas desistiram temporariamente de procurar emprego, também aumentaram e já somam mais de 5,9 milhões de pessoas. 

Esse cenário já vinha se desenhando antes mesmo da pandemia de Covid-19. O Brasil voltou ao Mapa da Fome em 2018, dois anos antes do início da crise sanitária. O Mapa da Fome é uma lista de países nos quais mais de 5% da população consome menos calorias do que deveria diariamente. Em 2014, o Brasil deixou o Mapa. Em 2018 retornou. 

O cenário atual não desanima iniciativas como a de Fernanda. Ela explica que é preciso se manter atento para a realidade das pessoas ao redor e entender que o que é pouco para uns, pode ser luxo para outros.

Assista ao vídeo de Fernanda Espinha sobre como ajudar o próximo mesmo com pouco

Nos versos da canção de Jorge Aragão, o compositor propõe um mutirão de amor. No subúrbio carioca, Fernanda e outras pessoas que decidem se unir para tentar tornar a vida do outro um pouco melhor fazem as letras do poeta realidade. Em 2021, a estrofe “Saber que nem tudo é perdido” ganha novos contornos no cenário brasileiro. 

Rafaela Barbosa – 8º período

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