Gestantes temem pré-natal na pandemia

O acompanhamento médico mudou com a chegada da Covid-19

O pré-natal — assistência médica durante os 9 meses da gestação — passou por alterações em razão da pandemia, sendo uma delas, a possibilidade de consulta virtual. De acordo com a pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, uma em cada três mulheres diminuiu a frequência do pré-natal devido à crise sanitária. A necessidade de ir ao médico esbarra na apreensão das grávidas com o novo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as gestantes e puérperas — fase de 45 dias após o parto — como grupo de risco, tendo em vista que elas ficam com o sistema imunológico enfraquecido e, consequentemente, mais vulneráveis. Quem, ao longo da gravidez, pegou o decreto de pandemia anunciado pela OMS no dia 11 de março, teve que ajustar o planejamento gestacional para se adequar à nova realidade. Foi o caso de Sabrina Dellè, que teve a filha Sophia Helena há 2 meses e meio. A comerciante teve que adotar medidas preventivas para que nenhum imprevisto acontecesse naquele tempo e chegou a trocar o hospital público pelo privado.

Para Sabrina, essa transição não foi nada fácil, o que chegou a atrapalhar as etapas do pré-natal. “Minha maior barreira, primeiramente, foi manter os exames, porque eu não queria fazer o pré-natal à distância. Não fiz todas as consultas como queria, mas os exames eu mantive”, declara. Embora tenha tido certa dificuldade para marcar seus compromissos médicos, ela não tem o que reclamar do tratamento no local escolhido, já que apenas as grávidas estavam sendo atendidas, a não ser a parte cardiológica de idosos.

Apesar de ter ficado insegura em uma das ocasiões, a Secretária Parlamentar Carolina Sabino, à espera de gêmeos, também elogiou o sistema privado e presencial em meio a restrições sanitárias. “Estou satisfeita com as consultas, já que só entra uma por vez, sendo tudo esterilizado. Ao contrário, nos exames, fico muito tempo aguardando e exposta junto com pessoas que não se cuidam”, comenta. Tais opiniões vão de encontro com os 85% das grávidas que somente foram atendidas presencialmente e aprovaram o serviço, com base na pesquisa já mencionada.

Carolina Sabino está grávida das gêmeas Sarah e Larah. Após 7 meses de pandemia, ela ainda sente medo quando sai para o pré-natal – Foto: Arquivo Pessoal 

O Ginecologista e Obstetra Marco Aurélio Montes percebeu uma rejeição das pacientes em relação ao virtual e, pelo contrário, uma maior assiduidade nas consultas e exames de rotina. “As pacientes comparecem com mais frequência no pré-natal por estarem em home office muitas vezes. Algumas consultas à distância atendem as necessidades, porém, existirão sempre casos em que o exame físico será indispensável”, afirma. Outra questão que o chamou atenção foi o psicológico das gestantes com a possibilidade de contágio da Covid-19. Segundo ele, o medo de contrair a doença passa pela perda recente de familiares, possível desemprego, entre outros fatores que, de fato, afetam a evolução da gestação.

Quem também tem essa visão é Renato Sá, Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ), ao deixar claro que faz parte do pré-natal cuidar do lado mental das pacientes. “Uma das funções do pré-natal é a orientação emocional. O bem estar da gestante precisa ser garantido não só na parte orgânica, mas também na parte psicológica. Os distúrbios podem ir desde a não aceitação da gravidez, até quadros graves de psicose após o nascimento”, destaca.

Medo de sair de casa no pré-natal

Luciana Terenzi está realizando o pré-natal normalmente e busca relaxar nas horas vagas para não ficar traumatizada com a Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo com as orientações médicas contra o transtorno mental, ainda há grávidas que não conseguem controlar o nervosismo quando saem do isolamento social. Não é à toa que 58% das entrevistadas no estudo ficam extremamente preocupadas ao saírem de casa para o pré-natal. A Educadora Física Luciana Terenzi, grávida de 6 meses, optou por fazer o pré-natal no consultório, mas tem receio. “Estou tendo consulta presenciais mensalmente. Por estar saindo para realizar o pré-natal, além de me preocupar com o bebê, sempre bate certo receio de me infectar ou infectar os familiares neste momento de crise sanitária”, diz.

A pesquisa ainda revelou que 39% dessas grávidas reduziram a participação do cônjuge nas consultas de pré-natal na pandemia. A mãe da Sophia Helena se abalou com a ausência do parceiro que a acalmava antes do procedimento médico. “Mesmo estando com outras grávidas em uma sala fechada inicialmente, fiquei tranquila. Depois com a pandemia, não pude mais ir acompanhada e toda vez que iria entregar o exame para o doutor estava com a pressão alta”, lamenta Sabrina.

Ciente dos problemas vivenciados pelas futuras mamães na pandemia, o Presidente da SGORJ alerta para os riscos da carência do pré-natal e reforça a sua importância em momentos de incerteza. “O pré-natal busca identificar e tratar precocemente qualquer intercorrência que possa prejudicar a mãe e o bebê. É a principal ferramenta para a redução da mortalidade materna e perinatal”, garante Renato.

Lucas Ribeiro – 4° período

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