Home office: recurso frente à pandemia ou tendência no universo jurídico?

Peticionamento eletrônico, sustentação por vídeo e julgamento virtual são algumas das vantagens apontadas por quem atua no meio

Trabalhar em casa pode representar uma grande economia de tempo e dinheiro
Foto: Shutterstock

O home office é uma tendência adotada por empresas de diversos segmentos. Com o confinamento devido ao coronavírus, a modalidade de trabalhar em casa vem ganhando força entre os escritórios de advocacia do país. Muitos acreditam que o rendimento em casa – devido a distrações – seja menor do que em seus escritórios ou gabinetes, mas há quem veja que isso pode ser passageiro.

“Sabemos que o trabalho remoto, na minha profissão, não é visto com bons olhos e, no contexto atual da pandemia, esteja causando essa sensação de que não estamos rendendo como antes, mas não acredito que o motivo sejam as distrações em casa. O escritório é cercado de distrações, como a hora do cafezinho ou até mesmo o tempo de deslocamento. Para mim, o maior motivo dessa sensação é não ter existido um treinamento e um período de adaptação, não é questão de trabalhar em casa só… É uma mudança de vida”, alerta Daniel de Souza Ribeiro, sócio do Daudt, Castro & Gallotti Olinto Advogados.

Para quem não mora sozinho, o trabalho feito em casa pode encontrar diversos obstáculos: barulhos externos, interações com filhos, a falta de fiscalização., entre outros. Diversos são os motivos para a preferência ser o conservador escritório. Mas diversas também são as razões que fazem enxergar o home office como uma opção viável e tentadora para o mundo do Direito.

“Hoje, trabalhando de casa, enxergo as diversas vantagens dessa opção para o mundo do Direito. Não passo horas indo e voltando do centro, passo mais tempo em casa e economizamos com as contas do escritório. Não sabemos quando a pandemia irá passar, mas posso afirmar que o home office será muito mais frequente nos escritórios”, diz Alberto Oliveira Daudt, sócio-fundador do Daudt Castro & Gallotti Olinto advogados.

A modalidade de trabalho já vinha sendo implementada tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o portal de informações da Suprema Corte, e tem agilizado os julgamentos nas duas cortes. Esse melhor aproveitamento de tempo é possível devido às tecnologias de julgamentos virtuais, feitos por videoconferências, e à digitalização dos autos dos processos, sendo agora possível peticionar pelo computador.

Nas cortes, é adotado por alguns funcionários o trabalho remoto, no qual, algumas vezes na semana, eles não precisam ir até o gabinete cumprir suas tarefas. No trabalho remoto, deixa-se de lado a cultura do horário e o foco é o objetivo final, é entregar a demanda no prazo. O home office no meio jurídico hoje, ao que parece, não é só um facilitador, uma medida frente ao novo coronavírus, mas um modo de trabalho que está tendo a chance de mostrar sua viabilidade no universo jurídico e que deve continuar mesmo com o fim da pandemia. A grande questão é saber se o lado conservador desse meio estará disposto a aceitar essa mudança.

Jane Tavares – 3º Período | Jornalismo

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