Tempo de quarentena, mas sem direito a isolamento social

Mesmo que a rotina do país tenha sido alterada, alguns trabalhadores continuaram suas vidas como se estivesse em tempos normais

Desde março, o Brasil enfrenta isolamento obrigatório decretado pelos governos, com o intuito de precaver a população do novo coronavírus (COVID-19). Entretanto, nem todos tiveram o direito de permanecer em casa durante a pandemia. Profissões que exigem presença, levaram as pessoas a não mudarem as rotinas, correndo o risco de enfrentar aglomerações.

O porteiro Eraldo Ferreira diz que está seguindo as instruções recomendadas de prevenção, mas precisa pegar transporte público lotado e nem todos aderiram o uso da máscara. “É complicado. Estou fazendo a minha parte de usar máscara, mas fico apreensivo porque tenho filhos e tenho medo de levar vírus para casa”, conta Eraldo.

“Tem que haver uma mobilização social e políticas públicas que garantam que essas pessoas, que estão mais vulneráveis emocionalmente, sejam melhor amparadas. Os efeitos [psicológicos] disso não afetarão só nas casas deles ou individualmente, mas sim em toda sociedade”

A psicóloga Valéria Bittencourt afirma que a onda do medo, nesse momento, é inevitável, já que a população está vulnerável em um cenário desconhecido. Entretanto, as pessoas que não estão podendo se isolar são as que sofrem mais vulnerabilidade. “Por estarem sendo expostas, elas (pessoas) podem sofrer um turbilhão de emoções com uma lente de aumento”. Valéria também diz que outra consequência pode ser que o sujeito viva o estágio de negação a tudo que a sociedade está vivendo.

Para alguns setores o trabalho não foi para o home office e ainda assim teve um acúmulo de tarefas. Thalles Solrac trabalha no Hospital Perinatal como assistente administrativo e não teve a carga horária alterada, ao contrário, o trabalho intensificou por conta da pandemia. “Houve uma demanda muito grande, para os fornecedores, na área da saúde inteira. No início, foi difícil e pensamos que poderia faltar material para o próprio hospital”. Thalles também fala que teve o auxílio psicológico que o hospital ofereceu aos contratados.

Clique e ouça como é a rotina de Thalles:

A preocupação do próprio trabalho e do governo com a saúde mental dos trabalhadores é necessária, mesmo quando percebida como secundária. Para Valéria, é preciso oferecer auxílio emocional para estes indivíduos que não tiveram direito a quarentena e que seja divulgado o que já está à disposição. A psicóloga deixou o número de um serviço gratuito por

telefone que foi iniciado pela Secretaria de Assistência Social e de Saúde da região Serrana. Para procurar ajuda, basta entrar em contato com o número: (21) 981140862.

Isabella Lutz – 7º Período | Jornalismo

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