Debate sobre Racismo e Antirracismo na UVA BARRA

Alunos e professores trazem depoimentos sobre suas lutas cotidiana

A Universidade Veiga de Almeida abriu seu “auditório online”, nesta segunda-feira (15/06), para que alunos e professores falassem sobre um assunto que voltou a gerar polêmica ao redor do mundo nos últimos dias, o racismo. Os participantes puderam expor suas experiências de vida, pensamentos, esperanças e provocações em relação ao tema.  

O professor do curso de Publicidade e pesquisador Nilmar Figueiredo abriu a discussão falando sobre a criação do racismo na infância. “Desde a escola, aprendemos que o passado da Europa é tratado como a história do mundo e parece que a única contribuição do negro é no papel de escravo e isso me angustia muito. Desde a fase inocente da infância, somos ensinados a pintar “a cor da pele” com lápis nos tons de areia ou marfim”. Nilmar comentou que se sente muito incomodado com os termos utilizados diariamente e que possuem um teor racista, como “doméstica” e “cor do pecado”. 

Thaís oliveira, mestra e doutoranda em Ciências Humanas e Sociais, aproveitou o público de futuros comunicadores para falar sobre algumas mídias negras e independentes, como “Alma Preta, Jornalismo preto e livre”, “Geledéis” e “Periferia em movimento”. Ela ratifica a importância do debate sobre as diferenças entre brancos e negros.  “Devemos repensar modelos de sociedade e refletir sobre os espaços acadêmicos, onde, infelizmente, são priorizados os pensamentos de especialistas europeus que pertencem a um cenário e tempo histórico totalmente diferente do nosso.” 

Diversas visões sobre racismo e histórias muito parecidas. Os alunos aproveitaram seus espaços na palestra para compartilhar experiências de vida e pensamentos sobre o assunto. Rafaela Barbosa fica assustada com o recorte de classe presente na sociedade: “é muito difícil encarar essa realidade de violência e que não precisa procurar tanto assim para achar”.  

Gabrielle Lopes conta que mesmo sendo uma pessoa negra, de pele clara, e viver numa bolha de privilégios, ainda não está livre de sofrer preconceitos. “Consigo observar que não pertenço ao grupo majoritário da faculdade, mesmo tendo mais condições que muitos alunos brancos”. 

Ouça o depoimento da Gabrielle:

Beatriz Barbosa conta emocionada sobre o privilégio que sente por estudar em uma faculdade particular, sendo que muitos dos seus amigos não completam o ensino superior. “Evito olhar a história do meu povo porque mexe muito comigo, passaram por muita luta e sofrimento. Ainda não conseguimos ocupar um espaço digno na sociedade. Vejo que raramente temos debates como este e, quando ocorrem, muitos desvalorizam nossos sentimentos! Não conseguem entender que é a minha luta, minha história, minha dor”.  

Júnior Almeida também se emociona ao falar de sua história: “Venho de uma família simples que passou por muitas dificuldades. Meu pai conseguiu melhorar nossa situação financeira, mas ainda me sinto num limbo. Também fico cansado de ter que constantemente me posicionar politicamente para combater o racismo”. 

Ouça o depoimento do Junior:

A aluna de jornalismo Greicy Kelly comenta um episódio na sua infância onde sofreu racismo de amigos da escola. “A mãe de uma colega me encorajou, falou que eu era linda, deveria me olhar no espelho e admirar minha beleza. Ela me levou para uma agência, onde tirei algumas fotos e fui estimulada a me soltar. Esse foi o primeiro momento que vi minha beleza e me reconheci como negra”. 

Matheus dos Santos encerrou a palestra dizendo que não entende a necessidade que a sociedade tem de rotular. Ele fala que as pessoas brancas não são responsáveis pelo racismo, mas se beneficiam pelo contexto histórico formado. “Quando se fala de ‘raça negra’ não pode se referir a um material de estudo, cada um tem sua experiência. Os brancos também precisam começar a questionar a natureza e a estrutura da sua realidade.” 

O evento foi uma iniciativa dos cursos de Jornalismo e Publicidade e abriu um diálogo para que jovens universitários possam olhar criticamente a sociedade e os produtos que eles vão produzir futuramente no mercado de trabalho. 

Érik Sequeira – 4º Período | Jornalismo

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