Casais buscam alternativas para o dia dos namorados

Separados durante a pandemia, apaixonados revelam desafios para manter a relação acesa

“Quem inventou a distância, não conhecia a saudade e o estrago que ela pode causar quando ela invade”. A letra de “Longe”, da dupla Munhoz e Mariano, convida os casais de quarentena a refletir os relacionamentos com a chegada do dia dos namorados. Mesmo com a flexibilização do isolamento social, as autoridades de saúde aconselham que as medidas de proteção contra o coronavírus se mantenham. No entanto, manter a distância da pessoa amada em uma data que é totalmente reservada para ela pode ser um grande desafio.

Pensando nas pessoas do grupo de risco, Jorcelino Raphael e Fernanda Barros, escolheram abdicar de se encontrar normalmente durante o isolamento. Antes do “novo normal”, o casal estava junto pelo menos três dias na semana e saíam para cinemas e restaurantes. Atualmente, eles se falam através do telefone por chamada de vídeo e, visitas rápidas na volta do trabalho de Raphael. “Ela está trabalhando de home Office, então não tem contato com ninguém. Pelo menos uma vez a cada duas semanas, eu vou a casa dela de carro e a gente conversa pessoalmente, mas sempre se protegendo, eu dentro do carro e ela fora.”

Raphael diz que sente muita falta do abraço de Fernanda, mas é o momento de pensar no coletivo – Foto: Arquivo Pessoal

Com a flexibilização da quarentena, o casal planeja sair para comer no dia dos namorados e usar o sistema drive thru de algum restaurante que gostem. Embora não seja o que queriam, eles acreditam que é melhor assim para a proteção de seus familiares. “Existem pessoas de idade na minha casa e na dela, então a gente sempre tenta evitar o contato. É complicado estar tão perto da pessoa que você ama e não poder abraçá-la, mas é preciso”, diz Raphael.

No entanto, há casais que estão seguindo a vida “normalmente” durante o isolamento social. Jonathan Carrieri e Lorrany Herédia namoram há pouco mais de um ano, mas tentam manter uma relação intensa. Segundo ele, o casal tentou fazer alguns programas juntos virtualmente, mas não deu muito certo. “A gente se fala muito por chamada de vídeo e começamos a assistir uma série juntos. No dia seguinte, eu assisti sozinho e ela não, aí já causou confusão em tudo”, conta aos risos. “A gente preferiu então deixar para assistir quando estivéssemos juntos fisicamente”.

Jonathan e Lorrany saíram pela última vez em Março, no início da quarentena – Foto: Arquivo pessoal

Como Jonathan teve mudanças na sua carga horária por conta da covid-19, o casal consegue passar mais tempo um na presença do outro. “Minha rotina só nos dava o sábado e o domingo, mas agora eu fico três ou quatro dias na casa dela. O lado ruim é que a gente não pode sair, mas só de estar junto já é suficiente”.

Válvula de escape

O dilema “se encontrar ou não se encontrar: eis a questão” parecia estar resolvido para Victor Cezar e Mariana Souza. O casal que estava acostumado com a presença um do outro por conta da faculdade, abriu mão de estar junto pensando no bem coletivo. Durante mais de dois meses de distanciamento, buscaram formas virtuais de se falar e interagir para matar a saudade. “A gente estava fazendo o que gosta. Colocávamos o mesmo filme e cada um assistia da sua casa juntos, a gente passava muito tempo em chamada de voz e até aprendemos a jogar poker online para passar o tempo”, diz ela.

Victor e Mariana estavam afastados pela covid-19, mas resolveram ficar juntos no dia dos namorados – Foto: Arquivo Pessoal

No entanto, apesar do relacionamento à distância estar indo bem, problemas pessoais de Victor fizeram o casal repensar a ideia de estar separado:

Os relacionamentos usados como fuga podem ser prejudiciais a longo prazo. Para o terapeuta familiar e de casais, Marcelo Rosa, as relações podem gerar uma expectativa muito alta que se não atendida, piora o psicológico do indivíduo. “Se eu tenho um problema e espero que outra pessoa me ajude a passar por ele, se o meu companheiro não atingir a expectativa gerada eu posso me frustrar ainda mais e isso me levar ao fundo do poço”, diz. “O recomendado é procurar um profissional para auxiliar nesse processo difícil”.

Marcelo diz ainda que as relações devem ser dosadas e que o distanciamento social expôs fragilidades e fortalezas de relacionamentos. “Casais que não tinham a oportunidade de convívio diário buscam outras maneiras de estarem juntos, criando cenários tanto para serem mais íntimos e cooperativos um com o outro, como para revelar e intensificar as intolerâncias”.

Pedro José Alves – 7º Período | Jornalismo

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