XVI Luta antimanicomial promove debates virtualmente

O evento contou com mais de dez horas de atividades que discutiram o papel da arte e as políticas públicas na área de psicologia e psiquiatria

Debates, artes e informação. Há dezesseis anos a Universidade Veiga de Almeida abre um diálogo acadêmico sobre a Luta Antimanicomial. A 16ª edição do evento ganhou novo formato por conta da quarentena. O evento virtualizado aconteceu no dia 22 de maio, das sete e meia da manhã até depois das dez da noite e sempre com a “casa” cheia.

A coordenadora do campus Barra, Cristina Simões, realizou a abertura dos debates. Para ela, a virtualização não exclui a necessidade de se pautar a luta antimanicominal. “Hoje faremos uma luta virtual, mas é importante estar aquipresente e reforçar toda a necessidade dessa transformação”. Além disso, ela fez uma menção honrosa à Nise da Silveira, médica psiquiatra brasileira que foi um expoente da psiquiatria do século XX.

Danielle Lamarca, coordenadora do campus Tijuca, também falou na abertura do evento. Ela destacou que o confinamento por conta da quarentena possibilita o entendimento mais sensível ao que os “Loucos” sentiam quando interditados socialmente. “A gente tá sentido na pele o que é ficar preso, o que é perder o direito de ir e vir, por uma questão que a gente não tem como controlar”. Ela complementa, ainda, que essa identificação não é plena pois os pacientes ainda eram torturados.

Além das coordenadoras dos campi Barra e Tijuca, a coordenadora da pós-graduação, Glória Sadala também deu as boas-vindas aos participantes. “É um evento que integra todos os segmentos da psicologia da Universidade Veiga de Almeida: graduação, pós-graduação Lato Sensu e o nosso programa de pós-graduação em psicanálise, saúde e sociedade que engloba nosso mestrado e nosso doutorado”.

Aline Drummond foi quem encerrou a mesa de abertura. Ela é idealizadora do evento e o coordena desde 2004, quando se abriu um espaço de discussão sobre o papel da psicologia e a loucura. Durante o discurso, Aline enfatizou a necessidade de manter-se as atividades sociais ainda que via digital.“Estamos aqui hoje porque lutamos por uma rede de assistência em saúde mental democrática, capaz de respeitar a cidadania e os sintomas dos sujeitos inseridos nesse campo. E hoje teremos aqui um debate democrático, aberto e crítico”.

“Estamos aqui hoje porque lutamos por uma rede de assistência em saúde mental democrática, capaz de respeitar a cidadania e os sintomas dos sujeitos inseridos nesse campo. E hoje teremos aqui um debate democrático, aberto e crítico”.

– Aline Drumon

O evento seguiu durante todo o dia com diversas atividades. Os debates se inciaram com a mesa-redonda “O que a Psicanálise ensina para Reforma Psiquiátrica?”. Em seguida, Antônio Quinet realizou uma conferência com o título “James Joyce e a arte como Sinthoma”, na qual desenvolvia o pensamento psicanalítico embasado na obra do escritor James Joyce.

A diversidade esteve presente nos temas discutidos, de realizações artísticas e filosóficas a importância da Reforma Psiquiátrica e a Política de Saúde Mental no Brasil, todos os temas que tiveram participações de alunos e professores. O evento contou com a participação de diversos expectadores. Durantes alguns momentos, havia cerca de 700 pessoas conectadas ao aplicativo Zoom e já são mais de 1.500 visualizações na rede Facebok. 

Para encerrar as atividades, Cristianne Lima de Silva Moura promoveu um show com o nome “#Lou(CURA) em Casa”, no qual cantava músicas que iam desde Harmonia Enlouquece até Dona Ivone Lara.

Rafaela Barbosa – 7º Período | Jornalismo

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