Coronavírus aumenta procura por consultas online com terapeutas

Pacientes e psicólogos estão se adaptando ao novo momento

Os consultórios estão vazios, mas a sessão de terapia ganhou um novo divã. Muitos psicólogos buscam auxiliar os pacientes através da tecnologia. A possibilidade do atendimento on line veio da Lei n°11, de 11 de maio de 2018, aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, que consta o dever do profissional em prestar serviços de qualidade em condições dignas e apropriadas. A lei reconhece os meios tecnológicos de informação e comunicação como forma de mediações que podem ser utilizadas para realização das consultas.

A psicóloga Elisa Rodrigues, professora do curso de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida, afirma que toda essa situação diferente e inusitada que estamos vivendo, tem gerado grande ansiedade e desespero nas pessoas, aumentando a busca pelo serviço. Segundo ela, esses fatores e o aumento pela procura por sessões, gerou uma urgência para que os profissionais se adaptem ao momento que estamos vivendo.

A psicóloga Elisa acredita que a qualidade e a ética da profissão devem vir sempre em primeiro lugar – Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de direito, Ana Clara Fernandes, 21 anos, frequenta a terapia há dois anos. Conta que, pelo seu caso se tratar de uma situação emergencial e as consultas a ajudarem muito a conciliar suas questões, escolheu continuar com as sessões online, mesmo não sentindo o mesmo resultado que recebia com as presenciais.

Em um momento em que o atendimento no consultório não é permitido, a presença online do profissional, através da disponibilidade e da tentativa de amenizar o mal estar é essencial. Elisa Rodrigues acredita que o psicólogo deve atender o paciente em qualquer condição que seja ideal, mesmo não sendo perfeita e adequada para um trabalho completo. “Às vezes é necessário apenas um trabalho de apoio”, explica a professora.

Ana conta que sentiu dificuldades no começo, por causa da tecnologia. “Meu aparelho celular está com problemas no áudio e o computador possui um difícil manuseio”, explica. Em razão desses problemas, ela acredita que a sessão não tem a mesma qualidade, mas ainda a ajuda muito. “Sinto falta do olho no olho”.

Um período para novas descobertas

Letícia Alves Medici, 20 anos, estudante de publicidade, faz terapia há seis anos. Pensou em parar as sessões devido à pandemia, mas por estar vivendo um período de equilíbrio emocional, diz que não pode interromper o tratamento. Conta que sente falta dos métodos realizados no consultório, como as técnicas da acetona, onde o produto é aplicado na barriga para refrescar; do gelo, onde ela segura uma pedra de gelo para distrair sua ansiedade e a técnica onde ela fica ajoelhada, com uma venda nos olhos, ouvindo música ambiente, focando em sua respiração. “Todos esses procedimentos ajudam no controle das minhas crises de ansiedade”, explica.

Muitos jovens tiveram um aumento de ansiedade. Essa é a percepção da psicóloga clínica Thays Babo, a profissional percebe uma maior preocupação com o futuro, além de questões decorrentes do confinamento e da impossibilidade de ir e vir. No caso de idosos e de pessoas que estão afastadas da família, ela tem percebido sinais de depressão. Separados por uma tela, a psicóloga auxilia os seus pacientes. “Meu trabalho é tentar ajudar nas questões de ansiedade, regular as emoções e ajudar as pessoas a não sofrer por antecipação”, afirma.

Erik Sequeira – 4º Período | Jornalismo

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