Agência UVA Barra assistiu: “A Vida Invisível”

Foto: Divulgação

O mais novo filme do diretor cearense Karim Aïnouz, A Vida Invisível, se passa no Rio de Janeiro, na década de 50 e conta a história de duas irmãs, Eurídice (Carol Duarte) e Guida Gusmão (Julia Stockler), que após uma série de acontecimentos tem seus destinos separados. Diante dessa situação as duas precisam aprender a lidar com a saudade que sentem uma da outra e a viver em uma sociedade marcada pelo machismo.

Eurídice (Carol Duarte) e Guida Gusmão (Julia Stockler) – Foto: Bruno Machado

Na trama vemos como as irmãs Gusmão, filhas de um português conservador vivido por António Fonseca, tem seus sonhos e aspirações de vida confrontadas com a dura realidade da época. O roteiro do filme, apesar de em certos momentos ter um tom de certa forma novelesco, consegue se manter sempre em um nível acima das produções televisivas.

A fotografia do filme utiliza cores como o roxo, amarelo, verde e vermelho em momentos específicos, que se destacam sem se sobrepor. A direção de Karim que através de planos longos, consegue passar as emoções sentidas pelas personagens principais de forma intensa.

Eurídice (Carol Duarte) – Foto: Bruno Machado

O ritmo do filme pode incomodar um pouco. A monotonia em certos momentos e a sensação de que a história não está avançando atrapalham o andamento da produção, porém esses momentos mais parados são recompensados com cenas muito emocionantes e poéticos.

Um dos destaques é a atuação de todo o elenco, Carol Duarte e Julia Stockler conseguem levar o espectador pelas mais diferentes emoções e sensações, desde a saudade das duas irmãos até a revolta pela posição de inferioridade em que são colocadas pela sociedade da época. Gregório Duvivier interpreta Antenor, marido de Eurídice, que em certos momentos traz o alívio cômico do filme, mas o comediante também consegue representar todo o machismo e conservadorismo do homem médio da década de 50.

Além deles, o grande destaque fica mesmo com a participação especial de Fernanda Montenegro, que apesar de aparecer pouco, conquista e emociona profundamente, tudo que a atriz consegue transmitir apenas com o olhar é algo fascinante e que coloca o filme em outro patamar.

Foto: Bruno Machado

Ganhador da mostra “Um Certo Olhar”, no festival de Cannes de 2019 e o representante do Brasil para tentar uma vaga entre os 5 indicados a melhor filme estrangeiro na próxima edição do Oscar, A vida Invisível, é muito mais que um longa importante para o atual momento da sociedade, é um emocionante retrato de como a figura da mulher era vista, tratada e como diz o título invisível. O filme estreia em 31 de outubro nos cinemas.

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Lucas Souza – 2º Período | Jornalismo

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