CCBB promove a 9ª edição do Festival Internacional sobre Deficiência

Exibição de filmes, debates e oficinas fazem parte da programação

A desconstrução dos estereótipos das pessoas com deficiência é o ponto central da 9ª edição do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre a Deficiência, que estreou no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na última quarta-feira (23), em parceria com o Ministério da Cidadania. Com curadoria da Lara Pozzobon e Gustavo Acioli, o evento acontece a cada dois anos desde 2003 – em quase duas décadas de festival, o volume de inscrições das produções audiovisuais crescem a cada edição – Das 1064 inscrições, 38 filmes foram selecionados para exibição, entre curtas, médias e longas-metragens, ao longo dos doze dias de evento. As produções escolhidas são de vinte países, entre eles, Brasil, Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Rússia e Portugal.

O tema da mostra este ano envolve o poder da autoconfiança e da alegria de viver independentemente da condição física, intelectual, social, etc. Os assuntos apresentam uma pluralidade de questões pertinentes para pessoas com deficiência de diferentes partes do mundo. A diretora geral do evento Graciela Pozzobon explica os critérios necessários para que um filme possa participar da seleção, confira no vídeo abaixo:

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Um dos destaques da programação é o documentário “Meu nome é Daniel”, do cineasta Daniel Gonçalves que na edição anterior fez parte do júri e agora participa concorrendo às premiações do Festival. Sobre a obra cinematográfica, o diretor conta que a produção tem o objetivo de fazer o espectador pensar e tirar o portador de deficiência do estereótipo de vítima ou super-herói em que ele é comumente retratado, quando representado. “Minha intenção é mostrar que a deficiência é uma das minhas características e não algo que me defina”, ressalta Daniel. A produção, que retrata a sua vida, já recebeu vários prêmios, entre eles de melhor filme na Mostra de Cinema de Tiradentes 2019.

O cineasta Daniel Gonçalves divulga o primeiro longa-metragem, “Meu Nome é Daniel” – Foto: Divulgação – Agência Febre

Além das exibições, quatro debates fazem parte da programação, e as oficinas são a novidade da 9ª edição: A primeira “O Que você vê?”, com a bailarina Moira Braga; e a segunda “Sentidos”, com o ator e dançarino cadeirante Matheus Trindade. Ambas atividades e discussões promovem uma interação entre o público presente, os realizadores e os personagens retratados nas histórias. Frequentador de todas as edições, o aposentado Roberto Soares, 75 anos, assistiu o longa alemão “Menina de Areia”, de Mark Michel. “Eu adoro este evento. Eu fico com a minha mente meio turva porque a gente não sabe como funciona o dia a dia para essas pessoas, muitas se comunicam apenas por sinais e a vida tem que ser normal de alguma maneira, mesmo com dificuldades”, comenta.

“Assim Vivemos” é o primeiro festival de cinema no Brasil a oferecer acessibilidade para pessoas com deficiência visual (audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braille) e para pessoas com deficiência auditiva (legendas inclusivas nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates). A mostra é gratuita e vai até o dia 04 de novembro no CCBB, depois segue para as unidades dos estados de Brasília e São Paulo.

Graziela Andrade – 7º Período | Jornalismo

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