A ditadura do corpo perfeito

Durante o lançamento de “Pare de se odiar”, autora debateu o preconceito vivido por quem não se encaixa nos padrões sociais

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Alexandra Gurgel durante bate papo com os fãs. Foto: Graziela Andrade

A gordofobia e a pressão estética que muitas pessoas sofrem são temas pouco discutidos nos dias atuais. Pensando nisso, a jornalista e youtuber Alexandra Gurgel escreveu o livro “Pare de se odiar”. O lançamento aconteceu no último sábado (29), na livraria Leonardo da Vinci, no centro do Rio de Janeiro. O exemplar traz questionamentos importantes que estão presentes no dia a dia e que por muitas vezes podem vir a causar sérios problemas de saúde como a depressão e até mesmo o suicídio.

Na contramão do que se vê nos canais mais populares do youtube, a criadora do canal “Alexandrismos”, hoje com um pouco mais de 361 mil inscritos, já abordava essas temáticas importantes nos vídeos e após uma viagem com a mãe pela Europa, se sentiu inspirada para escrever sobre isso, baseada na própria experiência. “Era um assunto urgente e que ninguém nunca escreveu. Foi difícil construir o argumento principal porque o corpo se torna um produto e você aprende que tem que se privar das coisas”, comenta.

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Leitora Gleici de Souza. Foto: Graziela Andrade

Em uma sociedade que ressalta o tempo todo um padrão de corpo pré-estabelecido, no qual só o magro é bonito, a gordofobia vem disfarçada de preocupação com a saúde e pessoas que não se enquadram dentro desse modelo imposto sofrem diariamente. O social media Junior Kopke conta que já teve que lidar muitas vezes com a pressão estética. “Você cresce com isso impregnado e desenvolve preconceito consigo mesmo. Então, é importante ter alguém como a Alexandra que traz esse tema para grande massa porque ela sofre isso”, relata.

O julgamento afeta as relações sociais, profissionais e até mesmo familiares. A leitora Gleici de Souza, 28 anos, lida com essas questões desde a infância e diz que sofria muita cobrança pelo emagrecimento principalmente dos pais. “Sempre fui uma pessoa gorda. Se eu com 12 anos tivesse uma Alexandra na minha vida, teria sido muito melhor” afirma.

Ir contra o senso comum não é uma tarefa fácil, mas a autora acredita que a sociedade pode mudar e por isso traz no livro a visão do que ela chama de “body positive”. “É um movimento que busca a equidade dos corpos, no qual todos possam ser vistos iguais”, afirma. Alexandra fala ainda que é impossível desconstruir o corpo sem falar em feminismo porque a pressão estética pesa principalmente para a mulher. “Pare de se odiar” não tem faixa etária estabelecida e é indicado para qualquer pessoa que sofra ou não gordofobia.

Graziela Andrade – 5º período

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