O reflexo do legado olímpico na área médica

Congresso Mundial de Medicina do Exercício e do Esporte contou com palestras sobre lesões e medicamentos proibidos

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Palestra sobre o controle do doping, com o professor Eduardo de Rose. Foto: Ana Beatiz Bernardo

As Olimpíadas de 2016 deixaram um legado no país e a expectativa para 2020 é grande. No terceiro dia do 35º Congresso Mundial e 30º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e do Esporte, as modalidades olímpicas foram o foco de palestras. Em pauta as discussões sobre indicações clínicas e éticas do doping genético, padrão de lesão nos jogos olímpicos e controle de doping.

O uso de drogas e medicamentos para aumentar o desempenho dos atletas durante a competição, se não for comprovado por um médico que ele precisa daquela substância, gera consequências. Segundo o palestrante e membro da comissão médica de ciência do comitê olímpico internacional e nacional, prof. Eduardo Henrique de Rose, a punição para quem reprova no exame varia. “Depende das substâncias. As que ajudam mais o atleta, como anabólicos esteroides, podem ter quatro anos de penalidade”, explica o
médico. Além das lesões que podem gerar.

Mesmo que indiretamente, o doping pode prejudicar o atleta. “Eles ficam mais agressivos, então tendem a se machucar”, conta Eduardo. E o processo de controle dos esportistas nos jogos olímpicos é feito pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), calculando o total de quantas amostras são necessárias, e a cada dia é enviada uma lista de atletas que precisam fazer o exame. E o COI se mantém informado o tempo inteiro sobre a localização de todos. Hoje, quando chamado, o profissional precisa se deslocar na hora para a análise.

Os resultados saem de 24 a 48 horas, é um processo rápido. Mas o Brasil teve grande dificuldade nas Olimpíadas de 2016, por falta de orçamento cortaram parte da equipe de controle antidoping. Entretanto, a expectativa para o Japão é grande, segundo Eduardo. “Eles já sediaram três, uma de verão e duas de inverno. E a tecnologia é muito avançada”, relata o médico. O Congresso representa o desafio de trazer um evento de grande porte para o país, depois de tantos anos.

A última conferência no Brasil foi há 40 anos. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira do Exercício e do Esporte, Fernando Torres, a medicina esportiva do Brasil está ganhando um grau de relevância internacional. “Fora o reconhecimento dos colegas brasileiros, é de extrema importância a divulgação da especialidade que não cuida apenas do esporte. É algo muito mais amplo”, explica Fernando. A maioria dos médicos palestrantes, não tem uma formação específica, eles trabalham com diversos esportes e casos. O evento é além de divulgação, uma conquista com inovações tecnológicas e avanços nos estudos da área.

Ana Beatriz Benardo – 6º período